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1 de Novembro de 2004 14h44

FPF quer projeto médico para Paulistão

O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, pediu aos médicos Fernando Solera e David Uip um projeto para exames rigorosos e mais freqüentes nos jogadores que atuam no Estado. A idéia é começar o trabalho no início do Paulistão/2005. "O que aconteceu com o Serginho foi uma terrível fatalidade. Em minha opinião, resultado das exigências físicas cada vez maiores. Temos de tomar as medidas para proteger os atletas", disse Marco Polo.

O dirigente determinou ainda fiscalização dos dispositivos médicos em todos os estádios da Série A. Marco Polo, que joga futebol todos os finais de semana no SAG (Sociedade dos Amigos do Guarujá) pediu ao presidente que estude a aquisição de um desfibrilador. "Esta é uma conquista da medicina. Todo mundo deve ter acesso a ela", justificou.

Os dirigentes concordam que os exames tem de ser cada vez mais completos. "Acho apenas que a FPF deve auxiliar os clubes nisso ", disse o presidente do Paulista de Jundiaí, Eduardo Palhares. A redução no número de partidas por ano seria outro caminho para proteger o atleta. Quem defende há vários anos a medida é o presidente do Sindicato de Atletas do Estado de São Paulo, o ex-goleiro Rinaldo Martorelli.

Segundo ele, o ideal é estabelecer o limite de 60 jogos/ano. “Os grandes clubes estão atuando 80 vez por ano, é excessivo. E temos de ter um mês de férias”. Em São Paulo, por exemplo, os clubes disputarão o Brasileirão até 19 de dezembro. E os jogadores deverão se apresentar no início de janeiro para a pré-temporada. "Esta questão quem deveria resolver é o Ministério do Trabalho. As férias têm que ser de 30 dias e pronto. Eles poderiam voltar mais tarde e iniciar a preparação junto com a disputa do Paulistão", diz Martorelli.

40 graus - O argumento de que os clubes tem de jogar mais para conseguir receber mais dinheiro das emissoras de televisão, não muda a opinião de Martorelli. "Tudo bem: se os clubes querem jogar 120 partidas, é só contratar um elenco maior. O time pode jogar quantas partidas quiser. Mas cada atleta não deveria atuar mais do que umas 60 partidas por ano".

O Paulista vai encerrar o ano com as contas em ordem depois de disputar 45 jogos no ano. Eduardo Palhares acha ‘viável’ reduzir o número de jogos: "Os clubes têm de buscar fontes alternativas de renda, atraindo mais público e fazendo merchandising."

Terça-feira começa o horário de Verão. Martorelli vai iniciar outra briga: os jogos às 16 horas. "Há estudos que provam que jogar nesse horário significa enfrentar temperaturas de 40 graus. Isso pode também gerar problemas cardíacos, sem falar em câncer de pele e outros. Não dá para jogar nesse horário".

 

Estadão

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