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Flamengo e Corinthians empatam sem gols

30 Set 2004 - 07h11
Tite tinha razão em ficar desesperado no banco de reservas. Alberto e Jô perderam juntos quatro gols cara a cara com Júlio César. Por isso, o Corinthians apenas empatou nesta quarta-feira com o Flamengo: 0 a 0, no Maracanã. O resultado fez com que os corintianos ficassem em nono lugar no Brasileiro, com 52 pontos. O time carioca alcançou a 17ª colocação, com 37 pontos. O Corinthians volta a campo no sábado, às 20h30, contra o Juventude, no Pacaembu.

Os técnicos Ricardo Gomes e Tite tinham seus motivos para ganhar o jogo. Do lado carioca, pressionado pela sombra do rebaixamento e pelo atraso de pagamento que gerou até greve geral dos jogadores na Gávea. Do paulista, precisava-se da vitória para continuar brigando por vaga entre os primeiros colocados - aqueles que buscam classificação para a Libertadores da América.

Mas seguindo a tendência do futebol brasileiro, os dois montaram primeiro um sistema defensivo para depois atacar. O Flamengo cometia a heresia de ter Felipe na frente jogando de costas para o gol. Tudo para não deixar o meio-de-campo aberto. O Corinthians repetia o tradicional 3-5-2, tentando marcar e contragolpear em bloco.

E os dois times tinham um inimigo no Maracanã: o gramado. Maltratada, a grama soltava tufos nas divididas mais fortes. Irresponsável, a administração do estádio mandava preencher buracos com areia, criando armadilhas para tornozelos. A partida mostrou uma seqüência de divididas nas intermediárias. Principalmente no primeiro tempo. Outra vez os jogadores buscavam, nas divididas ou nas faltas, não permitir que os adversários organizassem ataques em velocidade.

A chance mais clara de gol no primeiro tempo coube a Alberto. Aos 16 minutos, Fábio Baiano cruzou da direita e descobriu o atacante livre diante de Julio César. Alberto, sozinho, dentro da pequena área, chutou por cima. O Flamengo, por não conseguir escapar da marcação, limitava-se a chutes esporádicos de longe, facilitando o trabalho de Fábio Costa. "Nós vamos marcar ainda mais forte, para ganhar o jogo", prometia Tite no intervalo. Pressão, sim. Mas sem eficicácia

Cumpriu a promessa. Colocou seus atletas para apertar a saída de bola do Flamengo. Pediu para Fábio Baiano atuar mais perto dos atacantes. E logo aos três minutos Gil deixou Alberto outra vez isolado diante de Julio César. Dessa vez, não chutou por cima: bateu para fora - do lado direito das traves. Outro gol incrível desperdiçado.

Com calma, Ricardo Gomes conseguiu orientar seus jogadores a tocar a bola com mais tranqüilidade. A pressão corintiana durou menos de dez minutos. Logo a partida voltava a ser disputada nas intermediárias, sem grande emoção. A maior esperança do Flamengo estava nos escanteios que buscavam Júnior Baiano.

Os atacantes corintianos se mostravam iguais na péssima fase. Jô (que havia entrado no lugar de Alberto) teve a coragem de perder um gol aos 42 minutos do segundo tempo. E não chutou para fora: bateu em cima de Julio César, que defendeu com os pés.

Mas ainda havia tempo para Jô deixar a torcida mais revoltada. Aos 45, em contragolpe em velocidade, o jovem atacante ficou outra vez cara a cara com Julio Cesar. Acertou no travessão. O jogo acabou. Para os corintianos, com o gosto amargo de que poderiam ter vencido no Maracanã.

 

Estadão

 

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