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Fla, Flu e Botafogo tão sem técnico

17 Ago 2004 - 07h25
A péssima campanha no Campeonato Brasileiro dos clubes cariocas e o poder de alguns jogadores conhecidos como badboys resultaram numa debandada inédita de técnicos do Rio, em menos de 24 horas. O do Fluminense, Ricardo Gomes, foi demitido na noite de domingo, após o empate do Tricolor com o Paysandu, no Maracanã. Nesta segunda-feira, Paulo Cesar Gusmão, do Flamengo, entregou o cargo, alegando ingerência da diretoria do Rubro-Negro em seu trabalho e deixando a entender que havia incompatibilidade com o meia Felipe. Para completar, Mauro Galvão, do Botafogo, também decidiu sair, após uma conversa com o presidente do Alvinegro, Bebeto de Freitas.

Ricardo Gomes não resistiu à pressão pelos resultados adversos e pelo constante desgaste com Romário e Edmundo. Com relação ao primeiro, tentou enquadrá-lo mais de uma vez, exigindo que ele comparecesse mais ao clube e participasse dos treinos. Quis acabar com as regalias do atacante, até por causa da reação dos demais atletas, entre os quais Roger, que reclamavam do tratamento especial da diretoria do Fluminense a Romário. Inicialmente, o jogador se mostrou disposto a colaborar. Depois, voltou à rotina.

O técnico que antecedeu a Gomes no Tricolor, Valdir Espinosa, já declarara que deixara o Fluminense devido a atitudes desarmoniosas de Romário. A crise com Edmundo teve vários capítulos, quase todos referentes a protestos do atacante quando era substituído. O pior desentendimento entre os dois ocorreu após a derrota do Fluminense para o São Paulo, por 1 a 0, em 28 de abril.

Na ocasião, Edmundo afirmara que não atuaria mais no clube enquanto Ricardo Gomes estivesse no comando. Um dia depois, o atacante não foi treinar. Irritado, o técnico decidiu que o atleta só voltaria a jogar no Tricolor se pedisse desculpas publicamente.

Paulo Cesar Gusmão estava contrariado havia dias com o que considerara intereferência da diretotia do Flamengo em suas decisões. Contou ontem que sofreu pressão até dentro do ônibus da delegação para mudar escalação ou não indicar mais Felipe como capitão da equipe. Sua relação com o meia estava estremecida e há indícios de que o jogador o estava boicotando. "No meu time mando eu", desabafou o treinador, logo após entregar o cargo.

Mauro Galvão, no vaivém do Botafogo entre lanterninha e o penúltimo colocado do Brasileiro, reuniu-se nesta segunda-feira pela manhã com Bebeto de Freitas, a quem pediu reforços, questionando a qualidade do grupo em mãos. Como o dirigente negara a possibilidade de novos investimentos, Galvão pediu demissão.

SUBSTITUTOS - Para o lugar de Ricardo Gomes, no Fluminense, o nome de Abel Braga é o mais cotado. Emerson Leão chegou a ser convidado, mas não foi muito receptivo. O ex-jogador Andrade vai dirigir interinamente o Flamengo, nesta quarta-feira, contra a Ponte Preta. E existe um movimento na Gávea pela contratação de Ricardo Gomes, para ocupar a vaga deixada por Paulo Cesar Gusmão.

No Botafogo, Paulo Bonamigo foi bastante elogiado por Bebeto de Freitas e tem chances de comandar o time.

 

Estadão

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