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12 de Julho de 2004 14h18

Ferrugem asiática influencia na quebra da safra 2003/04

Fungo foi o maior responsável pela quebra da safra 2003/04, com perdas de US$ 2,3 bilhões; doença já atinge todo País. A ferrugem asiática é a grande responsável pela quebra da safra de soja em 2003/04. O Brasil deixou de colher 6,9 milhões de toneladas, das quais 70% foram perdidas para o fungo P. pachyrhizi e o restante, para problemas climáticos, informa o Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja). O Brasil colheu 49,7 milhões de toneladas, volume 12,1% menor que a estimativa inicial. Calcula-se que a ferrugem tenha custado US$ 2,3 bilhões ao País, prejuízo 77% maior que o apurado na safra anterior.

"Tenho certeza de que se não tivesse feito a aplicação do fungicida, teria perdido toda a safra", diz Ywao Miyamoto, presidente da Associação Brasileira de Sementes (Abrasem) e produtor de soja em Diamantino, a 207 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso. Em 2000/01, Miyamoto convenceu o sócio a fazer uma única aplicação de fungicida contra a ferrugem, uma doença até então pouco conhecida. O sócio relutou, mas concordou. "O funcionário esqueceu de aplicar o produto em um único talhão. Colhemos 55 sacas por hectare, mas, naquele talhão, não valeu a pena sequer passar a máquina", afirma o agricultor.

Seca ou fungo?

"Muitos agricultores pensam que perderam suas lavouras para a seca, mas na verdade perderam para a ferrugem", diz o pesquisador José Tadashi Yorinori, da Embrapa Soja. "Em ambas situações, a soja escurece e fica difícil diferenciar a causa da quebra, porque a ferrugem não é identificável a olho nu", afirma.

Esta dificuldade foi enfrentada até mesmo pelos peritos da Aliança do Brasil Companhia de Seguros, uma empresa do Banco do Brasil (BB). "Os técnicos da seguradora fizeram um curso conosco para aprender a diferenciar perdas por seca e por ferrugem", diz Yorinori. Isso porque prejuízos com estiagem são pagos pela seguradora, mas as perdas por doenças, não.

O pesquisador calcula que os custos de controle da ferrugem são de 2,5 a 6 sacas de soja (R$ 100 a R$ 240) por hectare. "O custo é elevado, mas, ao combater o fungo o agricultor ataca, também, outras doenças que vinham reduzindo sua produtividade", afirma. Ele calcula que, antes do aparecimento da ferrugem asiática, o produtor perdia, em razão de doenças, entre 4 e 10 sacas de soja por hectare cultivado. "O defensivo ataca a ferrugem e outros fungos. Dessa forma, o aumento do custo é compensado pelo aumento da produtividade", diz.

Yorinori estima que a ferrugem está presente, literalmente, "em todas as regiões ao sul da linha do Equador", ou seja, em quase todo o Brasil. "Os agricultores terão que conviver com a ferrugem pelo resto de suas vidas", afirma.

Para ele, a cadeia produtiva da soja passará por uma seleção semelhante àquela observada no café nos anos 70, quando surgiu o primeiro caso de ferrugem do café. "Os produtores profissionais ficaram e aprenderam a conviver com o fungo. Os aventureiros, infelizmente, saíram do mercado", diz.

Falta de técnicos

Identificar a ferrugem não é tarefa fácil. "Neste ano treinei 10 mil pessoas, mas creio que apenas 500 estão realmente preparadas para identificar a ferrugem", diz Yorinori, que no ano passado ministrou cerca de 500 palestras sobre o tema no Brasil, Paraguai, Bolívia e Argentina. A ferrugem apareceu pela primeira vez na Argentina no ano passado, mas foi mascarada pelos efeitos da seca. "Se neste ano o clima for normal, os agricultores argentinos certamente terão que se prevenir contra a ferrugem", diz.

A Embrapa recomenda que sejam feitas entre 1 e 3 aplicações - em 2003/04, a média foi de 1,7 aplicações em todo o Brasil. Yorinori diz que, em razão da demanda, pode haver falta de defensivos no mercado. De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Agrícola (Sindag), existem 13 produtos registrados, mas o ministério estuda acelerar o processo de registro para reduzir o preço da mercadoria. Em 2003/04, segundo produtores, os preços chegaram a subir 40% no final da safra em algumas regiões.

A Embrapa Soja mantém, na internet, um site (www.cnpso.embrapa.br/alerta) que serve como referencial para os agricultores, porque alerta para novas áreas onde o fungo foi detectado, métodos de prevenção e detecção.
 
 
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