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Brasil

Fenam cobra medidas para garantir segurança nos postos do INSS

31 Mai 2007 - 10h14

O assassinato de mais um médico perito levou a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) a cobrar das autoridades medidas emergenciais que garantam a segurança dos profissionais que trabalham nos postos do INSS em todo o país. Nesta terça-feira, 29, na cidade de Patrocínio, em Minas Gerais, o médico José Rodrigues de Souza, de 60 anos, foi morto com um tiro na cabeça pelo auxiliar de serviços gerais desempregado Manoel Rodrigues Andrade, que teve seu pedido de aposentadoria negado pelo médico.

“Lamentamos profundamente o brutal assassinato de mais um médico e repudiamos toda e qualquer forma de violência contra os profissionais que cumprem seu papel na sociedade. Por isso, a Fenam vai cobrar das autoridades responsáveis a adoção de medidas emergenciais que possam assegurar a integridade física dos médicos no desempenho de suas funções”, diz Eduardo Santana, presidente da entidade.

A Federação vai solicitar audiência com o ministro da Previdência, Luiz Marinho, para contribuir no sentido de encontrar uma solução, o mais rápido possível, para garantir melhores condições de trabalho e segurança para o exercício profissional. Além disso, a diretoria da Fenam também está solicitando aos sindicatos médicos de todo o país que apóiem o movimento e cobrem providências nesse sentido.

Em setembro do ano passado, a médica perita da Previdência, Maria Cristina Souza Felipe da Silva, foi assassinada quando saía de casa, em Governador Valadares, Minas Gerais. Elainvestigada um esquema de fraudes no setor de perícias do INSS daquela cidade e teria sido morta a mando de um outro médico perito, Nilson Souza Bride, que, segundo a Polícia, estava envolvido com as fraudes.

Na oportunidade, a Fenam, junto com o Conselho Federal de Medicina e a Associação Médica Brasileira, divulgaram uma nota oficial denunciando as péssimas condições de trabalho a que são submetidos os médicos no Brasil, especialmente os peritos do INSS.

“É antiga e notória a falta de segurança a que somos cotidianamente submetidos sem que as autoridades públicas adotem qualquer providência para que possamos exercer os nossos trabalhos com a tranqüilidade e segurança necessárias”, dizia um trecho do documento. “Infelizmente, nada mudou desde então e mais um médico é assassinado”, finalizou Eduardo Santana.

Em Alagoas, situação dos médicos é de constante perigo

Os médicos peritos que atuam nos postos de benefícios do INSS em Alagoas continuam sendo alvos de agressões e ameaças de morte por parte de segurados que não se conformam quando sofrem o corte de benefícios. Segundo o diretor do Sindicato dos Médicos e perito do INSS, José Roberto Moraes, a violência contra os peritos, que sempre existiu, aumentou depois que o instituto fez mudanças no sistema de informatização, adotando um programa que dificulta o trabalho dos profissionais e, em alguns casos, prejudica os segurados, gerando revolta. Como lidam diretamente com os segurados, os médicos terminam sendo alvo da violência resultante das deficiências do INSS.

O sindicato denunciou o problema à Procuradoria Regional do Trabalho e pediu providências para garantir a segurança dos médicos. A PRT determinou à gerência executiva da autarquia em Alagoas que providenciasse um sistema de segurança capaz de preservar os médicos contra atos de violência, mas as medidas não foram adotadas. De acordo com o sindicato, "a única preocupação do INSS é com a proteção do patrimônio do órgão, como se os equipamentos dos postos de benefícios fossem mais importantes que a integridade física ou a vida dos médicos peritos".

Em Santos, perito foi esfaqueado

Em março, a violência contra peritos da Previdência atingiu ao médico Gustavo Almeida. Ele foi atacado quando trabalhava no posto do INSS de Santos por Ana Cristina do Nascimento Paim, que lhe deu cinco facadas nas pernas.  A mulher foi presa em flagrante por tentativa de homicídio.

 

 

Nota oficial sobre o assassinato do médico perito José Rodrigues de Souza

 

 

É com pesar e revolta que recebemos a notícia do brutal assassinato de mais um médico perito da Previdência Social, Dr. José Rodrigues de Souza, na cidade de Patrocínio, em Minas Gerais.

Nós, da Federação Nacional dos Médicos, repudiamos toda e qualquer forma de violência contra os profissionais que cumprem seu papel na sociedade e exigimos das autoridades a adoção de medidas que possam assegurar a integridade física dos médicos no desempenho de suas funções.

A Fenam não pode aceitar que a categoria médica exerça suas atividades profissionais em constante insegurança. Há muito tempo, os médicos brasileiros vêm sendo submetidos às mais diferentes situações de risco, seja em postos de saúde, em hospitais da rede pública, serviços de urgência e emergência, ou nas unidades de atendimento da Previdência Social, sem que as autoridades responsáveis tomem as providências necessárias no sentido de garantir que o profissional trabalhe com tranqüilidade e segurança. 

Temos de acabar, de uma vez por todas, com as constantes agressões e ameaças de morte por parte de segurados que não se conformam quando os médicos não têm condições de conceder os benefícios reivindicados.

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