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Falta de chuvas já prejudica lavouras do Paraná

10 Set 2004 - 13h47
A falta de chuvas e a baixa umidade relativa do ar já estão prejudicando as lavouras do Paraná. Em algumas regiões foram registrados nos últimos dias índices de umidade inferiores a 20% - o tolerável é de 30%. A falta de umidade atrapalha o desenvolvimento das lavouras instaladas e impede o plantio, como no caso do feijão, já atrasado nas regiões norte, noroeste e sudoeste, e com lavouras perdidas em algumas áreas.

De acordo com o Departamento de Economia Rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Deral), além de afetar a cultura de feijão, a seca está atrasando o transplante de fumo, o plantio de mandioca e, em algumas regiões, o de milho. Os prejuízos se estendem ainda às lavouras de amoreira (bicho da seda) e cana-de-açúcar, que não conseguem se desenvolver.

Também foram registradas perdas de massa verde, as pastagens de inverno - a redução da comida para o gado pode afetar a produção de leite. Em algumas fazendas já há registro de perda de peso do rebanho.

Para o chefe da Divisão de Conjuntura do Deral, Luiz Roberto de Souza, são muitos os prejuízos decorrentes da falta de umidade. "Agosto é considerado o mês mais seco no Paraná, mas este ano as precipitações ficaram abaixo da média e mal distribuídas geograficamente no Estado", acrescentou o agrônomo, lembrando que em alguns municípios do norte e do noroeste não chove há mais de 40 dias e, mesmo que ocorra alguma preciptação logo, as lavouras já estarão sendo plantadas fora da melhor época recomendada pelos órgãos de pesquisa, o que pode prejudicar o desenvolvimento da planta.

Segundo Luiz Roberto, as imagens de satélite não apontam possibilidades de chuvas que possam reverter esse quadro nos próximos dias. A situação porém não é tão grave para as grandes lavouras de milho e de soja. Para elas ainda não há risco de prejuízos, uma vez que só começam a intensificar a plantação no início de outubro.

Ainda de acordo com o técnico do Deral, em situações como essas é necessário que o produtor tenha reserva de alimento para o gado, tanto em forma de silagem quanto em feno - "formas antigas de estocar alimento, mas às vezes esquecidas pelos pecuaristas" -, lembrou. Mesmo as pastagens nativas ou perenes estão com baixo desenvolvimento nessa época.

Outra preocupação da Secretaria da Agricultura são os riscos de queimada, já que os pastos estão secos, primeiro em decorrência de geadas e, agora, devido à seca.

 

 

Agência Brasil

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