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Brasil

Êxodo rural em MS chega a 40% nos últimos 30 anos

28 Set 2004 - 10h57

Nos últimos 30 anos, a população rural do Mato Grosso do Sul sofreu uma redução de 40%, apesar dos esforços para reverter o quadro como por exemplo os avanços da reforma agrária. A constatação é da Superintendência Regional do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e está no PRRA-MS (Plano Regional de Reforma Agrária de Mato Grosso do Sul), publicado este mês. O documento traça um panorama da atual situação agrária no estado, aponta tendências e prevê ações até 2006.

Dos quase 550 mil habitantes de 1970, restavam apenas cerca de 330 mil pessoas em 2.000. A situação é ainda mais preocupante porque no mesmo período a população total do estado subiu de 1 milhão para mais de 2 milhões de pessoas. Em termos de número de estabelecimentos, mais de 60% são minifúndios e pequenas propriedades que ocupam 6% da área do estado, enquanto os grandes proprietários somam 16,5%, mas estão espalhadas por quase 80% do território.

Luiz Magioni, Engenheiro Agrônomo do Incra, salienta que essa situação foi provocada pela diminuição da renda dos agricultores, especialmente aqueles vinculados ao sistema de produção integrada às agroindústrias, envolvendo principalmente os pequenos produtores. Eles criam frangos, bicho da seda e outros para grandes empresas. O processo tem significativa adesão, porém conforme Magioni, reduziu a taxa de lucro a índices muito baixos.

Entretanto, o engenheiro salienta que a reforma agrária está alterando a estrutura agrária do Mato Grosso do Sul, tradicionalmente assentada sobre o latifúndio. Os assentamentos reconduziram milhares de famílias ao campo, amparadas por programas de crédito específicos. Os dados do PRRA-MS confirmam a afirmação ao revelarem que, de 1997 a 2002, o Incra criou 74 projetos de assentamento com capacidade para 10.720 lotes.

Levando-se em conta o universo de 70 mil propriedades, praticamente 15% dos imóveis rurais do estado seriam oriundos do processo de reforma agrária. A previsão é de que sejam assentadas 22 mil famílias até 2006, das quais 8 mil em 2004.

Dados apontam para perspectivas positivas tendo em vista o histórico dos assentamentos. Ramão Rudel Echevarria, chefe da Divisão de Suporte Operacional do INCRA lembra que no século passado os projetos de colonização do então presidente Getúlio Vargas deram origem a cidades como Dourados, Fátima do Sul e Sete Quedas. Mais tarde, o município de Novo Horizonte do Sul foi gerado a partir do assentamento Novo Horizonte, sob a responsabilidade do Incra.

Outra forma de benefício foi a revitalização de municípios como Itaquiraí, Nioaque, Corumbá e Ponta Porã. Neles os assentamentos geraram novos distritos e incrementarem a oferta de produtos agrícolas para os moradores urbanos. Com base em dados sólidos e experiências consistentes, o PRRA-MS deve balizar ações concretas no sentido de promover o desenvolvimento rural do Mato Grosso do Sul estado nos próximos anos.

 

 

 

Dourados News

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