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EUA surpreende e elimina a invicta Espanha no Basquete

26 Ago 2004 - 13h41
O time do técnico Larry Brown pode não ser um "Time dos Sonhos", mas nem por isso vai manchar a tradição norte-americana em olimpíadas. Pelo menos por enquanto. Nessa quinta-feira, os profissionais da NBA jogaram como uma equipe e destruíram o time mais forte da primeira fase dos Jogos Olímpicos.

Com uma atuação estelar de Stephon Marbury, 31 pontos, um dos mais criticados da equipes, o ex-"Dream Team" bateu a até então invicta Espanha por 102 a 94 e está nas semifinais das Olimpíadas de Atenas. Agora, esperam o vencedor de Argentina e Grécia, que jogam ainda nesta quinta.

Se perdesse, Tim Duncan, Allen Iverson, LeBron James e seus companheiros seriam os primeiros "basqueteiros" norte-americanos a voltar de uma Olimpíada sem uma medalha. Todas as seleções dos EUA, masculina ou feminina, chegaram ao pódio olímpico quando disputaram os Jogos. A única exceção foi 1980, em Moscou, quando o país boicotou a disputa.

A turma 2004 do "Dream Team", porém, já ficou marcada por desastres. Na estréia, os EUA perderam pela primeira vez em Olimpíadas jogando com os profissionais da NBA. Na terceira rodada, a equipe se tornou a primeira seleção olímpica masculina norte-americana, incluindo as formadas por universitários, a perder duas partidas em uma mesma Olímpíada. Ao final da primeira fase, a equipe também se tornou a primeira com jogadores da nba a fechar a primeira fase sem nenhum placar centenário.

Com a derrota, a Espanha, que venceu todas as partidas da primeira fase, só poderá terminar em sétimo lugar nas Olimpíadas. As regras dos Jogos determinam que os perdedores das partidas envolvendo os primeiros colocados da primeira fase decidem o sétimo lugar, enquanto os perdedores das partidas envolvendo os segundos colocados de cada grupo decidem o quinto.

A Espanha estava preparada para marcação forte, jogo forçado no garrafão. O que os Estados Unidos fizeram, porém, não estava nos planos. Foram 12 cestas de três pontos na partida, em 22 tentativas. Só Marbury fez seis. Durante todo o campeonato, os EUA só tinham acertado 21 bolas de longe, com aproveitamento muito ruim.

Noo primeiro tempo, os americanos acertaram cinco arremessos de três pontos em dez tentativas, aproveitamento ainda melhor do que no resto da partida.

Os responsáveis por isso foram os dois titulares mais criticados da equipe, Marbury e o ala Richard Jefferson. Cada um fez duas bolas de três -Allen Iverson encestou a outra- e foram os principais jogadores dos EUA no primeiro tempo.

Os espanhóis só conseguiram manter o placar equilibrado graças a Pau Gasol. O ala-pivô do Memphis Grizlies fez 18 pontos no primeiro, graças, também, a uma opção do técnico Larry Brown. No primeiro quarto, Tim Duncan fez duas faltas e o técnico resolveu preservá-lo. Sem nenhum outro pivô no elenco, ele jogou "small ball", como chamam os norte-americanos, usando uma formação mais baixa.

Com duas faltas de ataque, uma de Dwayne Wade e outra de Amare Stoudemire, os EUA permitiram que a Espanha chegasse à frente do placar pela primeira vez, só no final do primeiro quarto: 25 a 23.

No segundo período, os EUA abriram dez pontos logo no início, mas novamente Brown usou sua formação mais baixa. Mas dessa vez, ao invés de usar Lamar Odom e Carlos Boozer, acostumados a jogar no garrafão, usou Stoudemire como pivô e improvisou o ala Shawn Marion. Pau Gasol aproveitou e, ao receber uma ponte aérea, virou o jogo para 39 a 38. O primeiro tempo terminou com os norte-americanos na frente, 44 a 43.

O terceiro quarto foi muito parecido com o segundo. Os norte-americanos saíram na frente, abriram oito pontos, mas a Espanha voltou a equilibrar no final. Com os jogadores dos EUA se enchendo de faltas (três titulares fizeram a terceira, Odom chegou a quatro), a marcação ficou mais leve. Na metade do período, os espanhóis tiveram três ataques de três pontos, contra nenhum dos rivais, e viraram o jogo.

A única diferença foi que, nos dois últimos minutos, os jogadores dos Estados Unidos mostraram porque estão na NBA. Abriram seis pontos e chegaram aos últimos minutos com sete de vantagem.

A reação norte-americana selou a vitória. Nos últimos dez minutos, a Espanha até tentou, mas com a confiança em alta, os EUA não permitiram que a vantagem chegasse a menos de quatro pontos.

Nem mesmo a saída de Odom, com a quinta falta, ou a quarta falta de Tim Duncan, pendurado, conseguiram mudar o panorama.

Enquanto isso, Marbury aproveitava para responder aos críticos. Com sua sexta bola de três pontos, ele colocou os EUA com nove pontos na frente a menos de três minutos do fim. Os espanhóis mantiveram a fé, entraram no último minuto fazendo faltas, para tentar parar o relógio e diminuir a diferença, mas não deu certo.
 
UOL Esportes

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