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Estudo sobre células-tronco terá R$ 13 milhões

6 Out 2004 - 13h11
O Ministério da Saúde vai investir cerca de R$ 13 milhões em pesquisa sobre técnicas alternativas ao transplante de coração e outras cirurgias cardíacas. Quatro instituições estarão envolvidas num estudo nacional sobre a eficiência do uso das células-tronco do próprio paciente para o tratamento de doenças cardíacas graves.

O estudo será coordenado pelo Instituto Nacional de Cardiologia de Laranjeiras (INCL), instituição vinculada ao Ministério da Saúde e considerada centro de referência. As outras instituições serão selecionadas por edital.

Cada instituição será responsável pelo estudo do uso de células-tronco no tratamento de uma das quatro enfermidades cardíacas a serem pesquisadas: cardiopatia chagásica, infrato agudo do miocárdio, cardiomiopatia dilatada e doença isquêmica crônica do coração.

A pesquisa vai envolver 1.200 pacientes, em estudos que terão variação de 18 meses a três anos de duração. O coordenador de ensino e pesquisa do INCL, Antônio Carlos Campos de Carvalho, disse que esse será o maior número de pacientes envolvidos numa mesma pesquisa sobre o assunto, no país.

Os pacientes serão divididos em quatro grupos, com 300 pessoas cada, de acordo com a doença cardíaca que possui. Em cada um dos grupos, a metade receberá o tratamento tradicional com medicamentos e, a outra parcela, injeções de células-tronco retiradas da medula óssea do próprio paciente.

“O objetivo desse estudo é investigar se a terapia celular é uma alternativa viável para esses pacientes com essas quatro cardiopatias”, explicou Carvalho. Segundo ele, se a pesquisa demonstrar a eficiência dessa terapia, o Sistema Único de Saúde(SUS) vai passar a usar essa nova modalidade terapêutica.

De acordo com Antônio Carlos, uma das vantagens dessa terapia com células-tronco do próprio paciente é evitar a rejeição imunológica já que o material transplantado é do próprio paciente. Como as doenças estudadas são graves e o tratamento, em geral, é o transplante, a nova terapia também vai resolver o problema de falta de órgãos.

“Certamente, a terapia celular é uma alternativa em termos de custo muito mais barata, e será muito mais barata do que a realização de um transplante cardíaco”, acrescentou. Carvalho disse ainda que, no caso dos tratamentos que não envolvem transplante, a terapia celular será usada em conjunto com as cirurgias de revascularização para ajudar na melhora do desempenho cardíaco dos pacientes.

Cada uma das quatro instituições selecionadas vai atuar como “centro-âncora”. Ou seja, a cada uma caberá a responsabilidade de desenvolver o estudo sobre a aplicação das células-tronco em uma das quatro doenças cardíacas.

De acordo com a chamada pública, divulgada esta semana, as instituições interessadas em atuar como centros-âncora terão 30 dias para enviar propostas de pré-seleção. A íntegra da consulta pública está disponível no endereço eletrônico http://dtr2001.saude.gov.br/sctie/decit/editais_decit.htm.

O estudo sobre a terapia celular é parte de uma parceira firmada, em setembro, entre os ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia para incentivar pesquisas na área de saúde. O acordo prevê investimentos de R$ 57 milhões, este ano, do orçamento do Ministério da Saúde que serão destinados a pesquisas científicas que possam melhorar as condições de saúde da população brasileira. Os recursos vão incentivar cerca de 350 projetos de pesquisa.

As células-tronco são células primitivas, que guardam a capacidade de se especializarem em diversos tipos de tecidos, entre eles, o coração. Elas existem naturalmente em reservatórios do corpo humano, como a medula (parte central) do osso da bacia. A técnica consiste em aplicar uma anestesia local e, em seguida, aspirar com agulha parte do conteúdo do osso. Esse material é processado em laboratório e injetado dentro do órgão doente que, no caso do tratamento de doenças do coração, é feito através de cateterismo cardíaco.
 
Agência Brasil

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