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Brasil

Estudantes indígenas preparam programa de rádio em guarani

23 Jul 2004 - 08h07
Com criatividade e um minigravador, 25 alunos dos ensinos fundamental e médio da Escola Municipal Coroa Sagrada, na Reserva Indígena de Amambai, já estão produzindo informes e comerciais, graças ao projeto Educomrádio. Parte da programação é feita na língua materna da comunidade, o guarani.

Os alunos exercitam com originalidade os conhecimentos adquiridos através dos treinamentos para o projeto, que é desenvolvido em parceria entre o Ministério da Educação (MEC), Universidade de São Paulo (USP) e Secretaria de Estado de Educação (SED).

Antes de os equipamentos serem instalados, os estudantes indígenas observam o trabalho de rádios comerciais de freqüência AM e FM e exercitam a técnica, construindo uma programação que alia informação e entretenimento. Todo o trabalho feito para a rádio Ñandeva é voltado à cultura indígena guarani e kaiowá, etnias presentes na comunidade.

Os estudantes simulam uma série de propagandas em guarani, complexa língua indígena. “As atividades melhoraram a auto-estima dos alunos, que são, na grande maioria, muito retraídos”, afirma um dos professores responsáveis pelo Educomrádio na reserva, José Luis Karasek. Os jovens já fizeram seis experiências diferentes de programação.

Os alunos sugerem os temas e os formatos para os programas, que são permeados por elementos da oralidade e expressividade regional, específicos das tradições guarani e kaiowá. Segundo José Luis, as atividades ajudaram a melhorar o relacionamento entre os alunos que, por serem de culturas diferentes, divergiam muito entre si. “Agora eles estão mais integrados e se relacionam melhor uns com os outros”, diz. A escola municipal Coroa Sagrada tem mais de 500 alunos.

O Educomrádio permitirá que toda a comunidade escolar tenha contato direto com a comunicação do rádio. Inicialmente, dois professores e 20 alunos por escola receberam uma capacitação, ministrada por profissionais especializados da USP, para reconhecer os equipamentos utilizados para a produção radiofônica e entender os conceitos básicos e expressões usadas pelos profissionais desse meio de comunicação. Os que participaram do treinamento serão multiplicadores e transmitirão os conhecimentos aos outros alunos e professores.

O uso do rádio no espaço educativo, além de estimular a permanência e a integração do aluno na escola, ajuda a despertar talentos. “Alguns alunos com potencial acabaram se soltando e começaram a cantar”, lembra José Luis. Agora, toda a programação musical da rádio Ñandeva é feita pelos próprios estudantes. Eles também fazem a cobertura dos fatos que exercem influência sobre o dia-a-dia deles, como a eleição para capitão da aldeia, que tem cerca de sete mil moradores.

Vinte escolas de Mato Grosso do Sul participam do projeto, que é uma experiência na interface entre educação e comunicação, contribuindo para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes. Oitos dessas unidades são de Campo Grande e 12 do Interior.
 
Agência Popular

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