Menu
SADER_FULL
domingo, 19 de janeiro de 2020
FARMÁCIA_CENTROFARMA_FULL
Busca
BANNER BET
Brasil

Estresse tira 800 professores da rede estadual em MS

6 Ago 2004 - 14h55
Professores ‘à beira de um ataque de nervos’. O estresse dos mestres tem preocupado o setor de Apoio Social da Secretaria Estadual de Educação, que afastou das salas de aula, somente no mês de julho deste ano, 196 profissionais. São 18 mil docentes em salas-de-aula na rede estadual de Mato Grosso do Sul e, no ano passado, 4% deles, ou seja, 800 foram tirados de suas funções por conta de problemas relacionados à saúde mental.
“Estamos ainda concluindo nossos levantamentos. Mas, sabemos que essa é uma profissão que precisa de apoio”, explica a técnica do setor de Apoio Social, Leny Carmo de Souza.
Com 20 anos de profissão, Neuza Torres, 59, está há cinco meses de licença. Da sala de aula, a professora de Geografia chegou a ocupar o cargo de gerente de Educação em Bodoquena e trabalhar no setor administrativo da Secretaria.
“No começo tinha muito ânimo. Aos poucos não suportei a sobrecarga e o estresse transformou-se em depressão”, desabafa, mostrando os remédios usados no tratamento da doença.
A alegria dos primeiros anos de carreira foi perdendo sentido com o passar dos anos, relata a professora. “No trabalho, tive momentos de falta de autonomia. Cheguei a trabalhar os três turnos todos os dias. Meu casamento acabou”, diz, contando que deixava a filha pequena com a empregada da casa e hoje se culpa por isso.
“Se parar e olhar para trás sinto apenas saudade dos alunos. A dor na alma é muito grande”, analisa.
Leny Souza faz um alerta sobre o problema. “O professor vai desenvolvendo lentamente a patologia mental”. Segundo a apoiadora, a LER (Lesão do Esforço Repetitivo) também ajuda a esgotar aos poucos as energias do profissional.
“O educador trabalha com a mente. O problema aparece com as dores de cabeça, na coluna, gastrite, e evolui para o estresse e depressão, por conta de um quadro geral, que passa pelas relações pessoais”, aponta Leny Souza.
A valorização profissional “de dentro para fora” é levada em conta na hora de analisar o problema. “É comum a gente achar que o professor só reclama. Ele perde a leitura do mundo e não reconhece que hoje em dia, com o desemprego, é quase um privilégio ser assistido nestes momentos”, explica Leny Souza.
Diante deste quadro de licenças dos profissionais, resta ao Estado arcar com o gasto na hora de compensar o vazio na sala-de-aula. Professores substitutos são convocados e com isso cresce a folha de pagamento.
“Hoje em dia, o Estado convoca professores substitutos e põe no lugar dos que deixam a escola para o tratamento. Agora, os que trabalham na parte administrativa deixam aos colegas o acúmulo de trabalho e isso pode gerar mais profissionais doentes”, explica Leny Souza. Ela não sabe informar o quanto é necessário para custear as novas contratações.
A presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação), Mara Carrara sintetiza o problema. “O Estado prefere pagar substitutos a investir no profissional da Educação. O professor sente-se impotente e o desempenho em sala-de-aula fica afetado”.
 
 
 
 
Campo Grande News

Deixe seu Comentário

Leia Também

FUJA DO PREJUIZO
Saiba como renegociar planos de celular, TV a cabo e internet
NOVA ANDRADINA - TURISMO
Ciclistas de Nova Andradina pedalam mais de 750 km para chegar ao litoral catarinense
FÉRIAS DOS FAMOSOS
De biquíni, filha de Glória Pires ostenta corpão em férias
CAMPO BELO RESORT - PACOTE ESQUENTA
Esquenta de Carnaval é no Campo Belo Resort, confira o pacote e faça sua reserva
CANCELAMENTO DE BOLSA FAMILIA EM 2019
Governo federal cancelou 1,3 milhão de benefícios do Bolsa Família em 2019 por irregularidades
CELULAR
Brasil é o 3º país em que pessoas passam mais tempo em aplicativos
A CASA CAIU
Mulher acha que marido morreu, busca detetive e descobre traição: 'Agora é ex'
LUTO - IASD
Morre primeiro líder máster de desbravadores investido no Brasil
OVNI OU SATÉLITE?
Objetos não identificados no céu chamam a atenção de moradores
SANGUE FRIO
Homem mata desafeto e continua vendendo picolé nas ruas da cidade