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Estresse tira 800 professores da rede estadual em MS

6 Ago 2004 - 14h55
Professores ‘à beira de um ataque de nervos’. O estresse dos mestres tem preocupado o setor de Apoio Social da Secretaria Estadual de Educação, que afastou das salas de aula, somente no mês de julho deste ano, 196 profissionais. São 18 mil docentes em salas-de-aula na rede estadual de Mato Grosso do Sul e, no ano passado, 4% deles, ou seja, 800 foram tirados de suas funções por conta de problemas relacionados à saúde mental.
“Estamos ainda concluindo nossos levantamentos. Mas, sabemos que essa é uma profissão que precisa de apoio”, explica a técnica do setor de Apoio Social, Leny Carmo de Souza.
Com 20 anos de profissão, Neuza Torres, 59, está há cinco meses de licença. Da sala de aula, a professora de Geografia chegou a ocupar o cargo de gerente de Educação em Bodoquena e trabalhar no setor administrativo da Secretaria.
“No começo tinha muito ânimo. Aos poucos não suportei a sobrecarga e o estresse transformou-se em depressão”, desabafa, mostrando os remédios usados no tratamento da doença.
A alegria dos primeiros anos de carreira foi perdendo sentido com o passar dos anos, relata a professora. “No trabalho, tive momentos de falta de autonomia. Cheguei a trabalhar os três turnos todos os dias. Meu casamento acabou”, diz, contando que deixava a filha pequena com a empregada da casa e hoje se culpa por isso.
“Se parar e olhar para trás sinto apenas saudade dos alunos. A dor na alma é muito grande”, analisa.
Leny Souza faz um alerta sobre o problema. “O professor vai desenvolvendo lentamente a patologia mental”. Segundo a apoiadora, a LER (Lesão do Esforço Repetitivo) também ajuda a esgotar aos poucos as energias do profissional.
“O educador trabalha com a mente. O problema aparece com as dores de cabeça, na coluna, gastrite, e evolui para o estresse e depressão, por conta de um quadro geral, que passa pelas relações pessoais”, aponta Leny Souza.
A valorização profissional “de dentro para fora” é levada em conta na hora de analisar o problema. “É comum a gente achar que o professor só reclama. Ele perde a leitura do mundo e não reconhece que hoje em dia, com o desemprego, é quase um privilégio ser assistido nestes momentos”, explica Leny Souza.
Diante deste quadro de licenças dos profissionais, resta ao Estado arcar com o gasto na hora de compensar o vazio na sala-de-aula. Professores substitutos são convocados e com isso cresce a folha de pagamento.
“Hoje em dia, o Estado convoca professores substitutos e põe no lugar dos que deixam a escola para o tratamento. Agora, os que trabalham na parte administrativa deixam aos colegas o acúmulo de trabalho e isso pode gerar mais profissionais doentes”, explica Leny Souza. Ela não sabe informar o quanto é necessário para custear as novas contratações.
A presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação), Mara Carrara sintetiza o problema. “O Estado prefere pagar substitutos a investir no profissional da Educação. O professor sente-se impotente e o desempenho em sala-de-aula fica afetado”.
 
 
 
 
Campo Grande News

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