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Brasil

Estagnação da produção mundial abre mercado para peixe de MS

14 Dez 2004 - 14h32
As estatísticas sobre a produção e o consumo de peixes no mundo indicam que, em 2010, haverá um déficit do alimento porque os maiores produtores mundiais já chegaram ao limite da sua capacidade de produção. Este quadro, segundo a Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca da Presidência da República (Seap/PR), abre espaço para o Brasil no mercado internacional.

“Os maiores produtores mundiais já estão operando no limite, é o caso da China por exemplo, e o mundo volta seus olhos para o Brasil. Essa conjuntura mundial é extremamente favorável para o Mato Grosso do Sul”, observou o subsecretário de Planejamento da Seap/PR, David Lourenço, nesta segunda-feira, no auditório da Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados.

Durante o ato de assinatura de convênios para o setor, o representante do ministro José Fritsch (Aqüicultura e Pesca) disse que, em termos de produção de peixes de água doce, o Mato Grosso do Sul reúne um conjunto de vantagens competitivas que o credenciam como candidato à liderança no segmento no país.

Entre essas vantagens estão a proximidade com os maiores mercados consumidores do país (Sul e Sudeste), o domínio do pacote tecnológico para a criação de peixes em cativeiro, produtores capacitados e recursos naturais que ainda permitem a expansão da atividade.

Organização da cadeia produtiva - A cadeia produtiva do peixe vive um momento de crescimento sustentado em Mato Grosso do Sul. Hoje, estima-se que a produção de peixes em cativeiro flutue na órbita das 2,7 mil toneladas por ano – o que é quase quatro vezes mais do que a 700 toneladas retiradas dos rios do estado a cada ano.

Em 2004, o Estado ganhou dois frigoríficos para a filetagem de peixe – um em Itaporã, já em operação, e outro em Mundo Novo (em fase de implantação). A falta de frigoríficos para abate e filetagem das espécies produzidas nos tanques era apontada pelos produtores como um dos gargalos para a expansão da atividade. O grupo Mar & Terra, que opera a unidade de Itaporã, enviou, para a Suíça, em setembro, o primeiro carregamento de pintados produzidos em tanques de MS.

Outro investimento estruturante do arranjo produtivo é em tecnologia. Na segunda-feira, foi assinado o convênio para a instalação do Núcleo Tecnológico do Peixe, na Embrapa Agropecuária Oeste. Com recursos globais de R$ 310 mil (provenientes da Seap/PR e da Embrapa), o Núcleo deve entrar em operação no primeiro semestre de 2005 para gerar respostas tecnológicas para os desafios da produção nas áreas de nutrição das espécies, melhoramento genético e sanidade animal. O núcleo é o primeiro do país inteiramente voltado à pesquisa de espécies nativas.
 
 
APn

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