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8 de Setembro de 2004 15h22

Escola Família Agrícola oferece formação integral

As Escolas Famílias Agrícolas (EFAs), como a que funciona em Campo Grande e em Itaquiraí, surgiram para incentivar o jovem a permanecer no campo, onde ele terá condições de trabalhar para garantir seu sustento e da família, e para oferecer formação de mão-de-obra especializada para as zonas rurais.

Essas unidades trabalham com a pedagogia de alternância - que surgiu em um pequeno vilarejo da França, em 1935, por causa da insatisfação de um grupo de jovens, filhos de pequenos agricultores, com a formação oferecida em estruturas escolares estabelecidas até então. Através desse sistema, os jovens passam períodos de formação no ambiente escolar e períodos de práticas, experiências e pesquisas no ambiente familiar-comunitário, integrando família e escola.

Para isso, os alunos têm atividades em tempo integral, durante quatro anos, sendo pela manhã aulas do curso técnico e à tarde do ensino médio. À noite, eles assistem a palestras que são atividades complementares para a formação curricular. No último ano do técnico, os alunos podem participar de cursos oferecidos pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e parceiros, como de auto-estima e motivação, cooperativismo, trabalho em equipe, higiene e manipulação dos alimentos e desenvolvimento local.

Os alunos trabalham com temas geradores. No primeiro ano, o tema é o homem, a mulher e a terra, quando eles fazem um resgate histórico-cultural da luta pela terra, têm noções de geração de renda, de preservação ambiental, saúde e valores pessoais. No segundo ano, o tema é agricultura familiar, quando eles passam a observar a comunidade e trabalhar com questões relacionadas à subsistência e organização dos trabalhadores rurais. Já no último ano do ensino médio, o tema é desenvolvimento local, quando o ensino é voltado à política e cidadania, programas sociais, movimentos populares e comercialização da produção. Desde o primeiro ano, cada aluno desenvolve um projeto de vida e profissional.

A EFA está localizada em um terreno de nove hectares, da Arquidiocese de Campo Grande, onde os alunos criam porcos e galinhas, além de cultivar culturas de subsistência, como hortaliças e verduras. A criação de animais e plantação na unidade é voltada ao consumo da comunidade escolar e também como atividade didática.

A escola busca a formação integral, voltada não apenas para o ensino de disciplinas obrigatórias, mas também para conceitos de cidadania e política. Na EFA o aluno tem estímulo à pesquisa e incentivo ao comprometimento com a causa popular. “Não basta o aluno ir para a sala de aula, ele precisa desenvolver habilidades, organizar-se entre os colegas e aprender a ter responsabilidades”, afirma a diretora adjunta da EFA, em Campo Grande, Sirlete Augusto Lopes. Dessa forma, segundo a diretora, os jovens assumem a ética profissional, respeitam valores diferentes, a diversidade cultural e rejeitam a discriminação. Além disso, eles precisam estar envolvidos com a causa popular e acreditar que é possível mudar a estrutura da sociedade atual.

De acordo com dados fornecidos pela escola, existem aproximadamente mil EFAs em todo o mundo. No Brasil, esses centros de ensino estão espalhados por todas as regiões, exceto no sul. São cerca de 400 EFAs em funcionamento e outras 40 em implantação, beneficiando cerca de 20 mil alunos e 100 mil agricultores. Mais de 50 mil jovens já receberam formação nessas escolas, sendo que, destes, 65% permanecem no meio rural.

Educadores - Os professores, que são chamados de monitores nas escolas família agrícola, são habilitados para trabalhar com a metodologia diferenciada da educação do campo. Antes de começar a atuação na EFA, eles fazem um curso de formação em pedagogia de alternância, oferecido pela Associação das Escolas Famílias Agrícolas do Centro-Oeste e Tocantins (AEFACOT), em parceria com a Universidade de Brasília (UNB). Para aqueles que não têm graduação, o curso é oferecido como extensão. Já para os graduados, a certificação é em pós-graduação.
 
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