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AGÊNCIA BONITO THIAGO
Brasil

Embargo russo já afeta mercado de suínos no Sul do Brasil

21 Set 2004 - 15h22
O embargo russo às exportações de carnes brasileiras, que entrou em vigor na segunda-feira, já está se refletindo no mercado de suínos no Sul do país, que tende a ser um dos maiores prejudicados pela medida, ao lado do setor de carne bovina. E fontes do setor ainda divergem sobre a motivação russa com a medida.

"As cargas estão efetivamente paradas em Itajaí (SC) e estamos dando uma pausa na compra de animais dos produtores para abate, enquanto não temos informações sobre como a questão será resolvida", afirmou nesta terça-feira Carlos Alberto Freitas, diretor-superintendente da Cooperativa de Suinocultores de Encantado-RS (Cosuel).

Segundo a Abipecs, entidade que reúne os exportadores brasileiros de carne suína, as vendas para a Rússia em agosto, o segundo melhor mês da história para o setor, atingiram 38,6 mil toneladas, 65 por cento do total embarcado pelo Brasil.

De janeiro a agosto deste ano, a Rússia comprou 199 mil toneladas de carne de porco do Brasil, gerando receita aos exportadores de 288 milhões de dólares, 88 por cento de todo o dinheiro recebido pelo setor com exportações em 2004.

Fontes do mercado de carnes que participam de evento sobre o setor em Curitiba (PR) ainda discutem a real motivação do governo russo para implementar o embargo, já que a justificativa relacionada ao novo caso de febre aftosa no Amazonas é considerada um subterfúgio.

"Falando sobre o mercado, o Brasil virou, como se diz, "gente grande". E quando isso acontece, a política entra em cena", afirmou Gordon Butland, chefe mundial do setor avícola do banco holandês Rabobank.

"Eles podem estar querendo negociar alguma abertura maior para algum tipo de importação da Rússia, ou apoio do Brasil a eles na OMC, não se sabe", disse.

Outros comentaram a questão da abertura para compras pelo Brasil do trigo russo ou mesmo de facilidades na importação de fertilizantes, já que a Rússia é um grande produtor.

Enquanto a questão não se resolve, ela pode prejudicar o bom momento do setor de suínos, diz o pesquisador José Cristani, da Unesp (Universidade Paulista) de Jaboticabal.

"A carne suína está com um dos melhores preços dos últimos anos, estimulada pela exportação e pela recuperação no mercado doméstico."

Cristani acredita em um fim rápido para o embargo, mas afirmou que a produção pode ser afetada, principalmente pelas limitações de armazenagem.

Alguns produtores também estão preocupados com o fluxo de caixa, com a interrupção dos negócios com a Rússia, e devem pedir ao governo federal, se a crise não for resolvida logo, uma linha de financiamento para estocagem.
 
 
Agência Brasil

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