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Fátima do Sul, 15 de Dezembro de 2017
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19 de Novembro de 2004 07h00

Em dois anos, 1,1 mil excluídos entraram no mercado

Diante do competitivo mercado de trabalho, que tem como principal vilão o desemprego, surge na contramão uma iniciativa para dar oportunidade às pessoas que enfrentam discriminação. Em Mato Grosso do Sul, nos últimos dois anos, 1.108 novos trabalhadores tiveram carteiras de trabalho assinadas, sendo 900 portadores de necessidades especiais, 200 negros e oito indígenas.
Um número pequeno, mas significativo, conforme a auditora fiscal do trabalho e coordenadora do Núcleo de Combate à Discriminação no Emprego e Profissão da DRT (Delegacia Regional do Trabalho), Noêmia de Sales Souza.
“A discriminação é grande. Se o empresário diz que aceita, normalmente é mentira. Desde 2002 tentamos conscientizar os patrões e não tem sido fácil. Está tudo ainda no começo”, diz a auditora fiscal.
A DRT tem o apoio de cem empresas e faz a ponte entre a comunidade organizada, como os grupos de movimentos negro e indígena, e as empresas.
O índio terena Edimárcio Barros Marques, 24 anos, e a jovem negra Rosemeire de Souza, 19, conseguiram quebrar a barreira do desemprego e discriminação e estão no mercado.
Marques cursava agronomia na UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) e teve de parar os estudos, pois perdeu a bolsa e não tinha como custear a faculdade. “Tive que trabalhar e há dois meses sou caixa no supermercado. Estou feliz porque consegui esse emprego. Onde moro há muitos jovens índios que precisam da oportunidade”, explica um dos primeiros índios a conseguir por meio da DRT chance de trabalho. Marques é caixa do Comper, na rua Barão do Rio Branco.
Rosemeire Souza diz ter sido a “força de vontade” o principal ingrediente para conseguir uma vaga numa das maiores lojas de departamento da cidade, a Riachuelo. “Deixei meu currículo e me chamaram. Oportunidade a gente tem que agarrar. Já sofri preconceito de cliente, mas aprendi com meu pai a superar isso”, relata.
Segundo o gerente da Riachuelo, na rua 14 de julho, José Artigozo, um programa voltado para a inclusão do negro tem sido feito ao longo dos anos. O salário, próximo dos R$ 500,00, é o mesmo pago a todos que exercem a função de caixa na loja.
“Há preconceito racial e a discriminação é muito acentuada. Muitas vezes as empresas deixa de contratar um bom funcionário por causa da cor. É um desafio mudar isso”, diz a professora e comerciante Lucila Pimentel, 38, cliente da loja de departamento.
Para Noêmia Souza, que há 13 anos trabalha como auditora da DRT, o desafio vai além da conquista por uma chance de trabalho. Se manter no mercado também é obstáculo e o branco tem mais chances de obter sucesso.
No caso da inserção dos portadores de necessidades especiais, a coordenadora acredita que a existência de uma lei prevendo entre 2% e 5% das vagas a estes trabalhadores foi fundamental para a inserção do grupo. “A Enersul (Empresa de Energia Elétrica de Mato Grosso do Sul) tem hoje 45 portadores de necessidades especiais”, exemplifica.
A DRT reúne representantes das minorias e empresários toda primeira quarta-feira de cada mês. A aproximação tem sido responsável pela contratação de índios, negros, portadores de necessidades especiais e também de soropositivos.
“Conseguimos impedir a demissão de 100 e a contratação de cinco por causa da proximidade com os empresários”, finaliza Noêmia Souza. Empresas e instituições como o supermercado Comper, lojas Riachuelo, Gabriela, Anita e UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) estão entre as que participam do projeto de responsabilidade social.

Dia 20 de novembro, sábado, é o Dia Nacional da Consciência Negra.
 
 
 
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