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Brasil

Em crise, setor calçadista demite 40 mil em dois anos

20 Abr 2007 - 16h20
 

A Frente Parlamentar do Setor Coureiro-Calçadista e Moveleiro apresentou nesta sexta-feira (dia 20) na Câmara dos Deputados um levantamento estatístico realizado em parceria com o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) evidenciando que nos últimos dois anos houve a demissão de 40 mil funcionários.

A causa apontada é a concorrência, aliada a altos tributos e ao Real valorizado frente ao dólar, o que dificulta as exportações. A maior concorrência é a da China, que produz dez vezes mais calçados que o Brasil e utiliza mão-de-obra 300% mais barata que a brasileira.

O levantamento também mostra que o setor emprega cerca de um milhão de brasileiros. Os dados foram apresentados pelo representante do Ministério do Desenvolvimento, Antônio Sérgio Martins, e pelo coordenador da Frente Parlamentar do Setor Coureiro-calçadista e Moveleiro, deputado Renato Molling (PP-RS), em audiência pública feita pela Comissão de Desenvolvimento Econômico para discutir a crise no setor coureiro-calçadista.

O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, Elcio Jacometti, ressaltou que o setor precisa aumentar as exportações. O setor calçadista já teve 10% do mercado americano e, atualmente, tem apenas 4%. "Nós somos autosuficientes na produção de calçado, produzimos de 700 a 750 milhões de pares de sapato e, se o Brasil não exportar, não consegue crescer sua indústria", disse durante a sessão.

O deputado Renato Molling apontou sugestões para aplacar a crise. "O câmbio seria a saída imediata, mas como nós sabemos que isso é difícil, temos a proposta de que haja um tratamento diferenciado para o setor, seja com a redução de impostos ou no INSS, porque é um setor que emprega muito. Também pedimos restrições à importação de calçados da China, que vêm atrapalhando o mercado interno aqui no País."

Já o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva do Couro e Calçado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Wayner Machado da Silva, considera essencial a desoneração tributária do PIS, da Cofins e de encargos trabalhistas.

 

 

 

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