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Brasil

Em coletiva, Lula se irrita com pergunta sobre FHC

15 Mai 2007 - 15h45
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve calmo durante quase toda a entrevista coletiva concedida na manhã dessa terça-feira, em Brasília. Ele respondeu a 15 perguntas de jornalistas de jornais, rádios, TVs, portais de Internet e correspondentes internacionais. Durante quase 2 horas sendo questionado, Lula se irritou com apenas uma questão quando falou da relação com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e da oposição.
"Um ex-presidente precisa virar conselheiro dele mesmo, não pode ficar dando palpite. Se recolhe, vai cuidar da família, cuidar dos netos, fazer conferência", disse em relação a FHC. Ele aproveitou a pergunta sobre o seu retorno à disputa eleitoral em 2014 para atacar os Democratas. "Acho que o PFL (atual Democratas) vai deixar de ser tão nervoso (até 2010). O povo não quer saber de muita confusão, quer que o País dê certo", disse.
O presidente respondeu a quase todos os questionamentos dos jornalistas, apenas na última questão sobre segurança pública preferiu dar uma resposta menos direta e não revelou o que pensava sobre a responsabilidade da União no problema. Apenas disse que o seu ministro da Justiça, Tarso Genro, terá um plano para a área até o final do mês.
Lula tropeçou em algumas palavras e demonstrando certo nervosismo pronunciou "Cindactia" em vez de Cindacta, ao se referir ao caos aéreo no País. Mas conseguiu arrancar risadas dos jornalistas ao brincar com sua forma de discursar. "Eu vou dizer uma coisa que eu nunca falei antes: nunca na história desse País", falou lembrando que sempre usa essa frase em seus discursos.
O presidente tentou passar firmeza quando falou da disputa entre a Casa Civil e o Ministério do Meio Ambiente e disse que a discordância "acaba quando o assunto chega à sua mesa."
Ele confessou ainda que tem vontade de ligar para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, para pedir um corte maior nos juros, mas garantiu que não usará o peso político para mexer na Selic. "Dá vontade de ligar para o Meirelles? Dá. Mas eu não vou fazer isso", disse.
Apesar da longa entrevista, Lula recorreu ao banco colocado pela assessoria para que ele descansasse apenas uma vez. Ao final, disse que gostou da entrevista e que outras coletivas não ocorreram antes por culpa sua, isentando a assessoria de imprensa. Comentou ainda que vive um momento mais aberto e que os jornalistas deviam aproveitar essa fase.
Em apenas uma pergunta o ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, se irritou com o jornalista. O repórter da TV Bandeirantes, Fábio Panunzio, fez três perguntas em série para o presidente, o que pelo acordo feito com a assessoria não estava permitido, e Martins quase o interrompeu.
 
 
Terra Redação

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