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Brasil

Em ano de crise, índice de desocupados cresce 18,5% no País

8 Set 2010 - 15h32Por Reuters

O Brasil tinha cerca de 8,4 milhões de pessoas desocupadas em 2009, ano em que o País mais sentiu os efeitos da crise econômica que começou nos Estados Unidos. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) 2009, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada nesta quarta-feira, o número representa aumento de 18,5% em relação ao registrado em 2008, quando havia pouco mais de 7 milhões de brasileiros desocupados. Em 2004, o País tinha 8,2 milhões de pessoas ociosas.

"Isso foi um efeito claro da crise, uma vez que o mercado não gerou vagas suficientes para atender a demanda", disse o economista do IBGE Cimar Pereira Azeredo.

"O efeito da crise na PNAD foi mais expressivo que na PME (Pesquisa Mensal de Emprego). A desocupação mostra isso de maneira clara e nítida", acrescentou a coordenadora da PNAD, Márcia Quintslr. A PNAD tem cobertura nacional, enquanto a PME cobre as seis maiores regiões metropolitanas do País.

Pelos dados da PME, a desocupação tinha ficado praticamente estável entre 2008 e 2009. "A PME sinalizou bem o que aconteceu com a ocupação e com o emprego com carteira, mas na desocupação não. O comportamento real foi diferente", destacou Quintslr.

Os pesquisadores do IBGE avaliam que há vários fatores por trás desse aumento da desocupação. "O fato da procura por trabalho aumentar pode significar que a pessoa perdeu seu emprego na crise e está tentando voltar; ela pode estar tentando recompor a perda salarial da família ou porque a pessoa espera melhora do mercado no futuro", disse Quintslr.

A taxa de desocupação estava concentrada na faixa etária entre 15 e 17 anos; e nas regiões Nordeste e Sudeste, onde 8,9% das pessoas estavam ociosas. O Sul foi a localidade com menor índice de desocupação, 6%.

"Os mais jovens são sempre os mais penalizados e, em mercados menos estruturados como esses, é natural que com uma crise o efeito seja maior", avaliou Cimar Pereira Azeredo.

Segundo o estudo, a estabilidade no contingente de ocupados, associada ao crescimento de pessoas desocupadas, causou a elevação da taxa de desocupação que passou de 7,1% em 2008, para 8,3%, em 2009. O índice estava em queda desde 2006.

No Brasil, 101,1 milhões de pessoas formavam a força de trabalho, sendo que 91,7% estavam empregadas, de acordo com a Pnad. Em relação a 2008, houve um crescimento de 0,3% da população ocupada.

Apesar do aumento de desocupados no País, o número de trabalhadores com carteira assinada subiu e atingiu o maior da história. A Pnad apurou que 32,4 milhões de empregados tinham registro profissional em 2009, aumento de 1,5% em relação a 2008. Segundo o estudo, 483 mil se tornaram empregados formais de 2008 para 2009.

Em relação a 2004, enquanto o contingente de empregados cresceu 16,7%, a parcela dos trabalhadores com carteira de trabalho assinada cresceu 26,6%, até 2009.

A região que mais contribuiu foi a Sudeste, onde 67,3% dos empregados são registrados. No Norte do País, esta proporção chega a apenas 42,4% do total.

Os empregados domésticos também fazem parte deste aumento. De 2008 para 2009, houve crescimento de 9% no número de mão de obra para a função e de 12,4% de trabalhadores domésticos com carteira assinada. De acordo coma Pnad, de 2004 a 2009 este aumento foi de 20%.

Rendimento maior
O salário médio do brasileiro também subiu. Segundo a pesquisa, o rendimento mensal de todos os trabalhos das pessoas de 10 anos ou mais, ocupadas, ficou em R$ 1.106,00 no ano de 2009. O valor representa alta de 2,2%, em comparação com 2008, quando o rendimento médio verificado foi de R$ 1.082,00

Em 2009, estes valores foram estimados em R$ 921,00 para a região Norte; R$ 734,00 para o Nordeste; R$ 1.255,00 para a região Sudeste; R$ 1.251,00 para o Sul e R$ 1.309,00 para o Centro-Oeste.

Entre 2004 e 2009, houve um ganho na remuneração média de trabalho de 20%. A região Nordeste foi a que apresentou maior aumento, cerca de 28%, no período. Já no Sudeste, o índice registrado foi o mais baixo do País, ficando em 17,1% de ganho no rendimento.

Menor desigualdade
Na análise da distribuição de renda, a Pnad avaliou que os 10% da população ocupada com os rendimentos mais elevados concentraram 42,5% do total de rendimentos de trabalho. Enquanto os 10% com os rendimentos mais baixos detiveram 1,2% do total das remunerações. Os valores foram semelhantes aos encontrados em 2008.

Além do aumento do rendimento e do houve melhora do índice de Gini (indicador usado para medição da desigualdade).

"Pode-se dizer que houve mais qualidade no mercado de trabalho ou manutenção dela", afirmou Quintslr.

O índice de Gini medido pelo IBGE manteve a tendência de queda em 2009, ficando em 0,518 ante 0,521 em 2008.

Quanto mais perto de zero, menor é o nível de desigualdade de um país, segundo critérios internacionais. O indicador baixou em todas as regiões com exceção da Norte.

"Ao longo da história da PNAD houve diversos planos econômicos. Entre as idas e vindas de planos que provocam ganhos e perdas, a recuperação da renda fica difícil. Houve ainda impacto de várias crise externas", avaliou Azeredo.

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