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Brasil

Educação é saída para qualidade da comunicação

21 Out 2004 - 17h39
Cerca de 57% das crianças e adolescentes brasileiros na faixa etária de 2 a 17 anos passam pelo menos três horas por dia assistindo a programas de televisão, indica a pesquisa “O que as Crianças Fazem todos os Dias?”, realizada em 10 países. Segundo o estudo, divulgado este ano pela empresa de pesquisa de mercado Ipsos, em nenhum dos outros nove países pesquisados (Canadá, Estados Unidos, China, França, Alemanha, Itália, México, Inglaterra e Espanha), o percentual de crianças e adolescentes que gastam no mínimo três horas diárias diante da TV é tão alto como no Brasil.

O que mais se aproxima é o México, onde 38% do público infanto-juvenil dedicam três horas todos os dias a essa atividade. Nos Estados Unidos, 29% do público nesta faixa etária têm a companhia da televisão durante o período mínimo de três horas por dia. Em cada um dos dez países, foram entrevistados 500 pais ou responsáveis pela criança ou adolescente, à exceção dos Estados Unidos, onde foram ouvidas cem pessoas. O estudo também mostra que, no Brasil, 31 % do público infanto-juvenil vêem televisão durante uma a duas horas diárias e que apenas 5% desse universo não dedicam parte de seu tempo à TV.

A influência da programação televisiva sobre crianças e adolescentes preocupa especialistas, o que leva ao surgimento de iniciativas voltadas à preparação para o consumo consciente de produtos que a mídia produz. Promover o pensamento crítico sobre a mídia e contribuir para a melhoria das produções destinadas ao público infanto-juvenil é a missão do centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes, o Midiativa, criado em abril de 2002.

Trata-se de uma associação civil sem fins lucrativos formada por profissionais que atuam nas áreas de Comunicação e Educação. “Nós fazemos um trabalho com profissionais, pais e professores. Essas pessoas é que vão, por meio do seu dia-a-dia com as crianças, chamar a atenção para a discussão sobre aquilo que elas estão vendo, como elas estão vendo e por que elas estão vendo”, explica a presidente do Midiativa, Beth Carmona, que também preside a TVE Rede Brasil.

Segundo Beth, o centro foi inspirado em iniciativas existentes em países da Europa, Ásia e África, adaptadas às condições brasileiras. “Países que têm ou que tiveram uma televisão pública um pouco mais elaborada estão um pouco mais avançados, porque a televisão pública existente na Europa, por exemplo, sempre produziu muito e se preocupou muito com essa questão”, ressalta.

Beth destaca que, no que se refere à preocupação sobre a mídia, o Brasil avançou nos últimos anos. “Em países como o Brasil ou outros países da América Latina – que começaram com uma TV que sempre foi entendida como meio comercial, que não nasceu com nenhum objetivo, em princípio, do conhecimento ou do ensino, da educação, de um ponto-de-vista mais estratégico – as coisas tendem a estar um pouco mais atrasadas, o que não significa que a gente já não se tenha uma consciência”, observa.

Neste contexto, o Midiativa trabalha no sentido de identificar e estimular os acertos em relação à mídia. “Nós que somos profissionais de televisão sabemos como é complexa a produção de um programa, como é complexo conseguir um resultado de qualidade, que tenha ao mesmo tempo entretenimento, ação, conhecimento e informação. Então, na verdade, a consciência crítica, em primeiro lugar, vale também para os produtores”, salienta Carmona.

Para Beth, os profissionais de mídia têm tanta responsabilidade quanto os pais. “Quem produz é tão responsável como quem tem o filho. A gente tem que se esmerar para criar o nosso filho com o melhor número de informações, valores e conhecimentos para que ele se torne um adulto saudável, e nós, profissionais, de televisão, também temos que ter essa consciência no momento em que a gente está produzindo”.

Ela diz que excelentes exemplos de programação de qualidade podem ser encontrados com mais freqüência na TV pública. “Na verdade, é um pouco da missão dessas televisões, que têm uma consciência da importância desse tipo de produção. Mas eu não seria tão radical a não enxergar qualidade em alguns programas da TV aberta e até da TV por assinatura. O Sítio do Pica-pau Amarelo (da TV Globo) é um bom exemplo. Mas o que acontece hoje é a falta de quantidade e de variedade, porque se oferece muito pouco para as crianças”, critica.
 
 
Agência Brasil

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