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Duas quadrilhas fraudavam contas de celulares do Governo

10 Ago 2007 - 17h18

O secretário estadual de Justiça e Segurança Pública, Wantuir Jacini, revelou hoje, durante entrevista coletiva, que duas quadrilhas atuavam no esquema de fraude nas contas de telefones celulares do governo do Estado conforme investigações da “Operação Oba-Oba” desencadeada pela Polícia Civil. Segundo Jacini, as quadrilhas atuavam no mesmo esquema, mas agiam de forma separada, sem que uma soubesse da existência da outra, e, com isso, a primeira quadrilha encobria os crimes praticados pela segunda quadrilha sem saber.

A primeira quadrilha era liderada pelo servidor Arthur Victor Freitas de Lima, que está lotado na SAD (Secretaria Estadual de Administração) e encobria os crimes no âmbito do governo do Estado, além do gerente da Vivo, David Alberto Nimer, que encobria as faturas que eram emitidas pela empresa de telefonia. Nimer foi preso ontem e, com isso, a “Operação Oba-Oba” já soma 25 pessoas presas, sendo que na fase inicial foram emitidos 21 mandados de prisão e depois mais quatro foram denunciados pelos comparsas.

A segunda quadrilha era liderada por Onézio José Soares, funcionário da empresa Dicorel, proprietário da CPU de computador apreendida durante a Operação da Polícia Civil. O funcionário levou para a empresa 16 celulares do governo do Estado, que eram utilizados de forma fraudulenta. A empresa informou que não tinha conhecimento e não está envolvida com o esquema de fraude. Jacini enfatizou que esta segunda quadrilha agia de forma diferente, pois cobrava aluguel mensal no valor de R$ 120 a 150,00 pela utilização dos aparelhos. “O crime praticado por eles foi muito bem esclarecido”, disse o secretário.

Jacini afirmou que “era muito difícil descobrir o esquema de fraudes, pois o servidor (Arthur) que tinha o dever de passar informações sobre irregularidades nas contas, era quem controlava o esquema e encobria os crimes”, revelou. Durante o governo Zeca, Arthur ocupava a função de coordenador de análise das contas do governo. Com a mudança de governo, para a administração de André Puccinelli, o servidor perdeu o cargo e com isso o esquema foi descoberto.

De acordo com o secretário, o serviço de investigações gerais da Polícia constatou que as contas dos celulares variavam de R$ 8 a 9 mil por mês cada um. Jacini salientou ainda que não descarta o envolvimento de outros servidores públicos no esquema e pode pedir ainda a quebra de sigilo fiscal e bancário dos envolvidos, já que há suspeita da prática de lavagem de dinheiro pelas quadrilhas envolvidas. Os acusados estão sendo investigados pelos crimes de formação de quadrilha e peculado (crime praticado por servidor público contra o Estado).

O secretário de Justiça e Segurança Pública salientou que o prejuízo para o erário estadual pode ser muito maior do que os R$ 500 mil estipulados até o momento e por isso será feita uma nova triagem nas contas do governo de 2005 até agosto de 2006, período em que a quadrilha atuou no governo.

 

 

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