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3 de Dezembro de 2004 16h04

Dólar fecha em queda e pouco acima de R$ 2,70

O dólar comercial fechou em queda nesta sexta-feira, a R$ 2,707 para compra e R$ 2,709 para venda, uma baixa de -0,87% em relação ao fechamento de quinta-feira. A moeda recuperou-se ligeiramente de uma queda que a fez ser negociada, logo no começo da tarde, a menos de R$ 2,70 - marca considerada uma "barreira psicológica" e a mais baixa desde junho de 2002.

No seu momento de menor valor nesta sexta, a moeda norte-americana foi cotada a R$ 2,693 para compra e R$ 2,695 para venda no câmbio comercial. A queda em relação ao fechamento de ontem era de -1,39%, às 14h30 desta sexta.

A moeda dos EUA havia fechado a primeira etapa dos negócios nesta sexta com desvalorização de 0,91%, cotada a R$ 2,704 para compra e R$ 2,708 para venda.

O movimento de queda na cotação nesta sexta-feira está ligado à divulgação de que a criação de postos de trabalho nos Estados Unidos foi menor que a esperada em novembro. O anúncio da reabertura do bônus de 2014 pelo governo brasileiro também fez o dólar acentuar sua queda.

O Brasil reabriu o bônus global com vencimento em 2014, e pretende captar cerca de US$ 500 milhões, de acordo com fontes do mercado. Segundo o Banco Central, os bancos JP Morgan e Morgan Stanley irão coordenar a operação.

"A emissão mostra que tem demanda lá fora por títulos da dívida brasileira, e isso é sempre positivo", afirmou Jorge Kattar, responsável por derivativos do Rabobank.

"Barreira psicológica"
Às 12h30, a divisa norte-americana chegou a ser vendida a R$ 2,70, em queda de 1% sobre o fechamento da véspera. A expectativa, que depois se confirmou, era de que no período da tarde o dólar comercial ultrapassasse para baixo desse valor.

Antes da divulgação do índice norte-americano de emprego, o dólar estava praticamente estável, vendido a R$ 2,725, mas logo em seguida exibiu grande volatilidade e chegou a R$ 2,713.

"O índice saiu abaixo da expectativa e não deu outra, o dólar caiu. Esse era o índice que estava segurando o mercado, que esperava um número forte, mas decepcionou", disse Hideaki Iha, analista de mercado da corretora Souza Barros.

A economia norte-americana abriu 112 mil postos de trabalho em novembro, abaixo da expectativa média de economistas ouvidos pela Reuters de 180 mil. A taxa de desemprego recuou para 5,4% em novembro, ante 5,5% em outubro.

No mercado externo, o dólar também recuou frente ao euro, que saltou para o ponto mais alto da sessão com a divulgação dos números de emprego.

Para Jorge Knauer, gerente de câmbio do banco Prósper, "os dados indicaram um aquecimento não tão grande da economia norte-americana, teve uma queda dos Treasuries (títulos do Tesouro norte-americano) de 10 anos e consequentemente levou a uma venda maciça de dólar futuro".

"A venda foi mais concentrada no dólar futuro, mas o futuro caindo, o mercado à vista logicamente se ajustou", disse Knauer.

Operadores disseram ainda que o recuo do risco Brasil também contribuía para a valorização do real.

Nesta manhã, o risco-país, medido pelo banco JP Morgan, caía 4 pontos, para 408 pontos-básicos sobre os títulos do Tesouro norte-americano, depois de ter recuado a 399 pontos-básicos.

 

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