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Fátima do Sul, 18 de Outubro de 2017
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4 de Outubro de 2004 07h39

Diferença entre Serra e Marta surpreende

José Serra, candidato do PSDB, saiu na frente no primeiro turno da eleição para a Prefeitura de São Paulo, alcançando 43,62%, contra 35,71% obtidos por Marta Suplicy, com 96,48% das urnas apuradas. Foi uma diferença bem mais folgada do que faziam crer os números das pesquisas de opinião dos dos principais institutos de opinião nos últimos dias e da boca-de-urna.

Todo o aparato de propaganda mobilizado para a campanha de Marta foi insuficiente para superar a campanha de Serra, que fez uso intensivo dos programas de TV da propaganda gratuita e constou de caminhadas pela rua, outdoors, sem cartazes e faixas na rua. Já Marta contou com uma forte campanha da propaganda de rua, com a alta tecnologia dos programas de TV, com a técnica de Duda Mendonça, com sucessivos empurrões do governo, com direito a comício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e presença constante de ministros. Nada disso funcionou para colocá-la à frente de Serra.

Além da disputa entre os dois principais partidos brasileiros, num segundo nível a eleição paulistana confirmou o ocaso do malufismo, fenômeno populista de direita que brotou nas décadas de 40 e 50, quando funcionava sob a liderança do ex-governador Adhemar de Barros e era apelidado de ademarismo.

O resultado das urnas também apontou para o enfraquecimento dos outros partidos e líderes, como a ex-prefeita Luiza Erundina (PSB), que alcançou o porcentual de 10% nas eleições municipais de 2000 e ficou agora com menos da metade. O PMDB, agente ativo obrigatório nas eleições em São Paulo, praticamente anulou sua participação ao apoiar Erundina sem conseguir torná-la uma candidata viável.

Restaram no cenário paulistano PSDB e PT, que vão para a disputa do segundo turno encastelados em duas importantes casamatas, o Palácio do Planalto ao lado de Marta e o Palácio dos Bandeirantes perfilado com Serra. As alianças de Marta com o governo federal e de Serra com o governo estadual deverão ser bandeiras no segundo turno.

A interferência dos “padrinhos” que se cristalizou no primeiro turno – aparentemente gerando bons resultados para os dois – deve se repetir no segundo turno, com o presidente Lula voltando ao programa de TV de Marta e o governador Alckmin presente na campanha de Serra. Agora a disputa Serra-Marta ocupará os próximos 27 dias dos cidadãos paulistanos. A propaganda eleitoral gratuita dos dois candidatos na TV e no rádio recomeça no dia 18 de outubro e vai durar 11 dias, encerrando-se no dia 29. A votação do segundo turno será no dia 31 de outubro.

 

Estadão

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