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26 de Outubro de 2004 10h32

Determinação é marca de adultos que estudam na EJA estadual

“Eu acho muito bonito o estudo, o conhecimento. Estou aqui porque estou cansada de trabalhar como doméstica e quero crescer na vida.” É com esse objetivo que Nerci Florenciano da Costa, 38 anos, e ex-moradora do campo, explica o motivo que a fez retornar à escola depois de duas décadas sem estudar.

Ela está na segunda fase do ensino fundamental da Educação de Jovens e Adultos (EJA), oferecida pela Secretaria de Estado de Educação (SED), no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professora Ignês de Lamônica Guimarães, em Campo Grande.

Em 2004, assim como Nerci, cerca de mil alunos começaram as aulas nas várias fases da modalidade de ensino que a escola proporciona, e muitos deles já conseguiram terminar os estudos depois de passar nas provas dos Exames Supletivos, em julho deste ano.

Colega de Nerci, Maria Luiza da Silva Nunes, 60 anos, acrescenta que o retorno aos bancos escolares também trouxe melhor qualidade de vida para ela. “Entre a família, no convívio social em geral, tudo está melhor. E, diferente de muitos colegas, tenho o apoio total do meu marido. Ele é fundamental para a minha permanência nas aulas e na minha vida”, afirma.

Além das aulas normais, todos os alunos também freqüentam as atividades na sala de tecnologia educacional da escola. Maria Luiza declara que é a primeira vez na vida que tem contato com o computador. “Tudo é novo. Nós duas nunca tínhamos mexido numa máquina como essa. Estou adorando.”

O secretário de Estado de Educação, Hélio de Lima, aponta que “é necessário que os alunos da EJA também estejam preparados para a era digital. Todas as 81 escolas estaduais de Campo Grande oferecem aos alunos oportunidade de aprenderem com o auxílio da informática”.

Segundo a diretora do centro, Elizabete Nacasone, é bom ver os alunos trilhando novos caminhos. “Estou há 20 anos trabalhando com esse público e o crescimento é visível. A maioria dos alunos tem mais de 25 anos e todos estão em busca de seus objetivos que, geralmente, são passar em um concurso ou no vestibular. A desistência é pequena”, declara.

Ensino e Aprendizagem - As professoras de Língua Portuguesa, Patrícia Fávero dos Santos, e de Língua Estrangeira, Ilzildinha dos Santos Silva, optaram por trabalhar com jovens e adultos porque acreditam que o interesse deles é enorme e isso motiva qualquer professor.

“Trabalho com alunos dessa modalidade há três anos e vejo que o retorno é compensador. Mesmo com problemas familiares, profissionais e pessoais, esses alunos querem aprender. O interesse, a interação, a comunicação, o respeito são fatores que motivam qualquer profissional a ensinar. Você acaba participando da vida deles também”, aponta Patrícia.

A professora Ilzildinha, por sua vez, comenta que o aprendizado da Língua Inglesa causa certa resistência nos alunos, mas eles se esforçam bastante para aprender. “É engraçado que, com a Língua Estrangeira, a maioria dos alunos, independente da faixa etária, tem resistência. Mas em compensação, outros percebem a importância de aprender pelo menos o básico e, aí, fica mais fácil o desenvolvimento das aulas. Aqui, alguns alunos montaram um grupo de estudos, de tira-dúvidas, participam de algumas aulas extras. É bom porque eles mesmos procuram se ajudar. Há alguns dias atrás, uma das alunas queria desistir, mas a turma inteira apoiou e ofereceu ajuda para que ela pudesse concluir os curso.”

EJA - Para os interessados em estudar na Educação de Jovens e Adultos é necessário ter acima de 15 anos. A EJA divide-se em duas etapas. A primeira, que corresponderia ao ensino fundamental, é concluída após o aluno ter passado pelas quatro fases propostas. Já a segunda etapa termina em dois anos e equivale ao ensino médio.

Para a gestora de Educação de Jovens e Adultos na SED, Maísa Vargas Veiga, o maior tarefa para os profissionais que trabalham com esse público é fazê-los concluir o curso. “O nosso grande desafio é que os alunos do programa Brasil Alfabetizado Mova-MS Alfabetizado passem a freqüentar as aulas da EJA e consigam terminar os estudos até o ensino médio”, observa.
 
 
 
APn
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