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AGÊNCIA BONITO THIAGO
Brasil

Desvio da Prefeitura de Cassilândia passa dos R$ 2 mi, aponta MPE

4 Mai 2007 - 15h58
 

O desvio de recursos da prefeitura de Cassilândia pela quadrilha que fraudava licitações e praticava agiotagem com dinheiro público chegou a mais de R$ 2 milhões, segundo levantamento preliminar do Ministério Público Estadual.

Segundo o promotor de Justiça, Fábio Ianni Goldfinger, as investigações do MPE prosseguem para se descobrir o valor total do desvio. “Hoje a Polícia Civil conclui o inquérito policial sobre o caso e na próxima semana o MPE apresenta ações cíveis e criminais contra os funcionários públicos, o marido de uma funcionária, quatro empresários da cidade, o prefeito e o vice”, explica.

Segundo o delegado adjunto da PC de Cassilândia, Paulo Henrique Rosseto, ainda hoje ele entrega ao Judiciário o inquérito, com a denúncia contra 15 pessoas: Ana Regina Arantes (servidora), Ivete Vargas da Rocha (servidora, ex-membro da comissão de licitação), Jorge Yoshishilo Kobayashi (servidor, chefe da tesouraria), Waldimiro José Cotrim Moreira (servidor, ex-secretário de Finanças), o prefeito José Donizete Ferreira de Freitas, o vice-prefeito, Tião da Marieta (PSB), Orange Rezende e Silva (servidor, funcionário da tesouraria), Luceni Quintina Correa (servidora), José Benedito Dias (servidor, que recebia porcentagem de cada conta de água cobrada), Ronilda Ribeiro Machado (secretária de Waldimiro, solicitou notas frias ao cunhado, proprietário de supermercado) e Eugênio Luiz Azambuja (marido de Luceni Quitina, auxiliava a esposa na fraude).

Além dos servidores, a lista de denunciados inclui ainda empresários que forneciam as notas frias para corroborar o esquema fraudulento: Roniclei Alves de Queiroz (dono da oficina Branks Car), Aleixo Teixeira Lata (cunhado de Ronilda, proprietário do Supermercado Nevoeiro), Elciomar Paulo de Menezes (dono do Supermercado Três Irmãos) e André Vidal Saeki Raizer.

Peculato e improbidade

O prefeito e o vice de Cassilândia responderão, segundo o MPE, responderão pelos crimes de peculato e improbidade. O prefeito, afastado do cargo conforme determinação judicial, usufruia do esquema fraudulento antes mesmo de se eleger, segundo apuração da Polícia Civil daquele município. Em campanha, ele determinava que os servidores envolvidos nas ilegalidades comprassem cesta básica para entregar a possíveis eleitores.

Já eleito, Donizete teria feito acordo com um empresário, pedindo a ele que abrisse uma firma na área de limpeza pública para que pudesse fazer parte do esquema de superfaturamento das licitações e emissão de notas frias. Segundo o delegado adjunto da PC de Cassilândia, Paulo Henrique Rosseto, a empresa foi aberta em 2005 e em seguida, começou a prestar o “serviço” à administração pública, fornecendo notas frias.

Conforme investigação, a fraude também contava com o aval do vice-prefeito, Tião da Marieta (PSB), que pediu notas frias para um empresário da cidade, para comprovar gastos e justificar a retirada de dinheiro. O delegado diz que o material que comprova a participação do prefeito, do vice-prefeito e dos servidores é vasto. Até agora, o rombo descoberto em dinheiro e cheques é de R$ 977 mil, conta que ainda não inclui os vales e as notas empenhadas que comprovam desvio que “já atinge a casa dos milhões”, afirma.

A Operação Judas, feita em conjunto pelo Ministério Público Estadual (MPE) e Polícia Civil de Cassilândia foi deflagrada no dia 10 de abri, com a prisão da servidora Luceni Quitina e a partir do dia 11 com a prisão de outros envolvidos, além de busca e apreensão de documentos. Dos sete presos na ação - Luceni, Jorge Kobayashi, Ana Regina, Orange Rezende, Waldimiro Cotrim, Eugênio Luiz e Ivete Vargas - apenas Luceni e o marido dela, Eugênio, foram liberados, depois que colaboraram com as investigações.

 

 

RMT Online

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