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Demerval Nogueira comenta pesquisas com células-tronco

14 Abr 2007 - 10h10

              

Células-tronco: consenso difícil, esperanças redobradas

 

 

Demerval Nogueira*    

 

A descoberta de que eram fraudes os alardeados avanços obtidos pela equipe do cientista sul-coreano Woo-Suk Hwang nas pesquisas com células-tronco embrionárias obrigou a sociedade e os próprios pesquisadores a reverem as conquistas antigas na área. A população se encanta com os anúncios de que as terapias com células-tronco são a solução para acabar com doenças incuráveis. Mas a primeira imprecisão de dados dos estudos, com cientistas divergindo entre si, demonstram a falta de consenso na área. A polêmica é ainda maior quando entram em pauta as discussões éticas e legais.

 

Em 1998, surgiram os primeiros trabalhos propondo que a injeção de células-tronco retiradas da medula óssea era capaz de reconstruir o músculo esquelético lesado de camundongos. Veio em seguida uma enxurrada de estudos afirmando que determinadas células-tronco poderiam gerar não só músculo esquelético, como células de fígado, coração e neurônios. Este paradigma prevaleceu até 2002, quando se descobriu que o que se julgava um processo de transdiferenciação era, na verdade, fusão celular, que, no fígado, por exemplo, a célula-tronco injetada se fundia ao hepatócito, em vez de se transformar – o que enganava os pesquisadores. Atualmente, ganha força o uso de fatores como a proteína timosina b4, e não mais de células-tronco, o que não impede que haja consenso em torno dos benefícios da injeção de células-tronco.

        

Pesquisadores que obtiveram sucesso injetando células em voluntários com doenças do fígado e do coração dizem que ainda não conhecem os mecanismos que produziram melhoras nos pacientes. Por outro lado, o Ministério da Saúde financia pesquisa com 1.200 pacientes cadiopatas, em diversas instituições, para aprimorar esses estudos e oferecer, no futuro, o tratamento pelo SUS.

        

As questões éticas são controversas, especialmente no que diz respeito à regulação de clínicas de reprodução assistida, à socialização do conhecimento existente, à informação para a participação consciente em experimentos, aos aspectos éticos e morais nos procedimentos de cada pesquisa. Tudo isto, é apenas o começo.

        

Mas, o que é mesmo células-tronco? Uma definição clássica de célula-tronco foi dada pelo professor Antonio Carlos Paes de Carvalho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ou seja, “é uma célula não-especializada com grande potencial de auto-renovação, capaz de originar diferentes tipos celulares no organismo”. Podem ser obtidas do embrião, do feto ou do adulto. As embrionárias são capazes de gerar qualquer um dos tipos celulares presentes nos tecidos do organismo, porém, reafirma ainda o professor, “a sua utilização do ponto de vista clínico ainda está bastante distante, porque precisamos ter um controle sobre a proliferação e a diferenciação delas”.

        

Já as adultas, usadas nas terapias, dão origem a células do mesmo tipo. Pode haver risco de aparecimento de tumores, por isso é essencial monitorar constantemente o desenvolvimento das células-tronco aplicadas nos pacientes.

        

No entanto, a polêmica ética neste campo permanece e os pesquisadores esbarram até mesmo, em obstáculos políticos. Porém, biólogos do Advanced Cell Technology, nos Estados Unidos, divulgaram através da revista ‘Science’ que acabam de desenvolver uma técnica para a criação de colônias de células-tronco a partir de um embrião humano, sem destruí-lo. O método já está sendo visto pelos cientistas como a solução para as restrições ao financiamento das pesquisas, uma vez que poria fim à principal objeção aos estudos.

        

Os pesquisadores vêem na utilização de células-tronco embrionárias a possibilidade de uma revolução no tratamento de doenças graves e incapacitantes, como, lesões na coluna, Parkinson, Diabetes, Alzheimer, entre muitas outras. As pesquisas continuam um tanto quanto, a passos lentos, agora, é esperar para ver até onde podem chegar.

 

 

 

*Radialista e Articulista do Fátima News

 

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