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CPI pode fazer acareação entre médico e jornalista

22 Set 2004 - 08h51
A CPI do Tráfico de Órgãos vai realizar uma acareação entre o médico Elias David Neto e o jornalista e apresentador de televisão, Athaíde Patreze. O jornalista em entrevista à Rede Bandeirantes de Televisão, afirmou que um médico do Hospital Sírio Libanês lhe oferecera um rim por 50 mil dólares (quase R$ 150 mil), denúncia que foi confirmada pelo jornalista em junho deste ano durante audiência pública da CPI.
Patreze, na época, iniciou a audiência tentando negar a negociação. Com a exibição do vídeo do programa de TV em que relatava a oferta do rim, no entanto, o jornalista admitiu a tentativa de compra e acabou revelando o nome do médico por escrito à Comissão.

Negociação
Segundo o presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga (PL-ES), o jornalista disse em junho à CPI que o valor inicial do rim seria de 100 mil dólares (quase R$ 300 mil), mas Patreze teria negociado e conseguido diminuir o valor para 50 mil dólares. A transação, no entanto, não chegou a ser concluída.
Nesta terça-feira, na Assembléia Legislativa de São Paulo, o médico Elias David negou as acusações. O presidente da CPI informou que, durante o depoimento, o médico fez uma revelação. "Elias deixou claro para nós que já existia um acordo entre o hospital particular e o SUS para receber uma comissão por retirada de órgãos. Cada rim que ele captava, um ia para o Sistema de Saúde e um ficava com os médicos particulares para atender os seus clientes. Isso é uma denúncia grave".
Para realizar a acareação, os deputados da CPI ainda vão se reunir para definir uma data.

Outros depoimentos
Nesta terça-feira, os deputados também ouviram o representante de laboratório de anatomia patológica Nivaldo Pereira, acusado de adquirir órgãos e cadáveres sem autorização legal na cidade de Franco da Rocha, em São Paulo. Ele nega as acusações, mas, segundo o presidente da CPI, os argumentos não convenceram. "A negativa dele não convence a CPI até porque são 17 inquéritos que foram abertos. Os delegados, que nós já tivemos oportunidade de ouvir na CPI, concluíram o inquérito, dando direito de defesa, investigando todas as denúncias. Nós não temos dúvida da participação dele".
A CPI ouviu também, a anestesista Lenita Bassi, citada porque teria conhecimento de que, em 1996, médicos na cidade de Taubaté, em São Paulo, retiraram órgãos de pacientes ainda vivos. Ela disse que não fazia parte da equipe de transplantes e negou qualquer conhecimento do fato. Os deputados ouviram ainda o médico Ciro João Bertoli, que assumiu a Fundação da Universidade de Taubaté e o ex-tesoureiro da Fundação, Carlos Magno Marcondes, convidados para depor como colaboradores. Também participaram da audiência os deputados Pastor Frankembergen (PTB-RR), Rubinelli (PT-SP) e Jefferson Campos (PMDB-SP).

O relatório final da CPI, com sugestões para o sistema de transplantes e com denúncias dos envolvidos, deve ficar pronto em outubro, mas os deputados ainda poderão pedir uma terceira prorrogação para adiar a conclusão dos trabalhos para novembro.
 
 
 
Agência Câmara

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