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18 de Agosto de 2004 17h42

Copom mantém juro em 16% pelo quarto mês consecutivo

O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central manteve a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 16% ao ano. Esse é o quarto mês seguindo no qual a taxa fica inalterada.

Depois de reduzir os juros em dez pontos percentuais no segundo semestre do ano passado, o BC adotou uma postura mais conservadora. Neste ano, a Selic foi alterada somente em duas ocasiões. Em março, quando caiu 16,50% para 16,25% e em abril, quando chegou aos atuais 16%.

A manutenção dos juros foi motivada principalmente pela ameaça de alta da inflação e pela incerteza em relação ao petróleo e aos juros nos EUA. Além disso, vários indicadores econômicos mostram uma retomada no crescimento da economia brasileira, apesar da taxa de juros ainda ser alta.



A decisão foi tomada após a reunião mensal do comitê, nestas terça e quarta-feira, e ficou dentro da expectativa do mercado financeiro. Já as entidades ligadas à indústria, ao comércio e os sindicatos queriam que o BC reduzisse a taxa. O próximo encontro do Copom será nos dias 14 e 15 de setembro.

Os economistas prevêem que a Selic de permanecer no atual patamar até o fim do ano, segundo uma pesquisa realizada pelo próprio BC com várias instituições financeiras. Na ata da última reunião, o BC não descartou, no entanto, a possibilidade de aumentar os juros, caso julgue necessário.

Inflação, EUA e risco-país

Os três principais fatores que pesam sobre a taxa Selic são a inflação, o risco-país e a taxa básica de juros dos EUA. Sempre que um desses fatores está em alta, a tendência é que os juros no Brasil fiquem inalterados ou até subam.

Em relação à inflação há pelo menos duas preocupações. Os reajustes de tarifas de luz, telefone, pedágio e água e esgoto pressionaram os índices de preços ao consumidor, em especial o IPCA, que é utilizado pelo governo como meta de inflação. A expectativa do mercado é de uma inflação acima de 7%, contra uma meta de 5,5% com uma "margem" de mais 2,5 pontos (até 8%).

A segunda preocupação é com uma retomada forte do crescimento, que pode alimentar a inflação e obrigar o governo a colocar um novo freio na economia. O BC já afirmou várias vezes que só vai admitir um crescimento que se mostre "sustentável" ao longo do tempo.

Os recordes seguidos do barril de petróleo, que chegou a superar US$ 47 em Nova York, preocupa por dois motivos. Em primeiro lugar, existe a necessidade de a Petrobras reajustar o preço da gasolina e de outros derivados.

Além disso, o petróleo está pressionando os preços nos EUA, o que pode levar o Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) a elevar mais rapidamente as taxas de juros no país.

No início do mês, o Fed elevou a sua taxa básica de 1,25% para 1,5% ao ano. O aumento já era esperado pelo mercado, mas na nota divulgada após a reunião, o banco central dos EUA indicou que poderia ser mais conservador e aumentar o ritmo de elevação dos juros.

Nos últimos 30 dias o risco-país passou de um patamar de 600 pontos para cerca de 550 pontos. Uma queda de 50 pontos no risco possibilitaria, em tese, a redução de 1 ponto percentual na Selic, caso não houvesse pressões sobre os outros fatores que influenciam a taxa.

Desde a criação do Copom, em 1996, a taxa Selic só esteve abaixo de 16% ao ano entre dezembro de 2000 e abril de 2001, quando ficou entre 15,75% e 15,25% ao ano.
 
 
Folha Online
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