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Conab estima maior estoque de trigo da década em janeiro

26 Out 2004 - 07h43
A política de apoio à comercialização de trigo que o governo anunciou em setembro fará com que os estoques públicos do grão totalizem o maior volume dos últimos dez anos. Estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) indicam que em janeiro de 2005 o volume estocado nos armazéns oficiais da entidade somem 450 mil toneladas, na melhor das hipóteses, já que o programa prevê apoio para 1,6 milhão de toneladas do grão.

As 450 mil toneladas acumulam 150 mil adquiridas na safra passada e outras 300 mil da atual colheita. "O governo deve comprar 300 mil toneladas se os preços no mercado interno reagirem, mas existe a possibilidade do volume de compra chegar a 1 milhão de toneladas se o mercado não reagir", afirma Mário Augusto Silva Júnior, técnico de planejamento da Conab.

E pelo que tudo indica o cenário não será dos mais promissores para janeiro, quando vencem os primeiros contratos de opção. Os preços do trigo argentino - principal concorrente da mercadoria nacional - que chegam ao mercado brasileiro estão em queda livre. "Em março pagávamos US$ 180 por tonelada e hoje estamos pagando US$ 125. Essa é uma retração de 30%", afirma Lawrence Pih, presidente do Moinho Pacífico. "A queda das cotações não chegou ao seu limite".

Quedas maiores

Na avaliação do empresário, os preços podem chegar a US$ 100 por tonelada, já que as previsões para a safra argentina foram revistas para cima. "Pre-via-se que a Argentina colheria 14 milhões de toneladas, mas a produção real poderá chegar a 15,5 milhões", diz Pih.

A queda dos preços do trigo argentino deve empurrar para baixo as cotações no mercado interno. "Daremos preferência ao produto nacional por uma questão de facilidade, mas se o trigo argentino estiver mais barato compraremos deles", afirma Samuel Hosken, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo (Abitrigo).

Ainda não é possível afirmar com precisão quanto o governo irá comprar com as medidas de apoio à comercialização, mas as 300 mil toneladas previstas pela Conab deverão se multiplicar, já que o preço mínimo para o grão é de R$ 400 a tonelada, acima do praticado no mercado. "Não é possível dizer se os preços irão reagir, mas pelo que tudo indica não", diz Otmar Hubner, economista do Departamento de Economia Rural do Paraná (Deral).

No Paraná, segundo Hubner, existem produtores que mesmo vendendo toda a produção no atual nível de preço não conseguem pagar as despesas do plantio. "Hoje, os preços internos estão por volta de R$ 22 a saca, uma queda de 12,3% em comparação ao mesmo período de 2003. No ano passado o preço já havia caído, mas a diferença é que a queda de 2003 ficou dentro do preço mínimo, o que não aconteceu neste ano".

E os produtores estão preocupados com a situação de oferta. A safra brasileira está estimada pelo mercado em 5,8 milhões de toneladas, mas o governo projeta 6,1 milhões. "O volume é muito grande e em janeiro ainda estaremos sob a influência da argentina", diz Flávio Turra, economista-chefe da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar).

Se por um lado a política de apoio aos produtores pode aliviar a situação no curto prazo, manter o maior estoque da década pode ser arriscado. "Para o produtor, a melhor política seria eliminar esse estoque. Ele poderia ser exportado ou enviado para regiões que importam trigo, como Norte e Nordeste", afirma Turra.

Apesar do cenário indicar para uma queda nos preços para janeiro e, por conseqüência, um aumento dos estoques públicos, Aldo Lobo, da consultoria Safras & Mercado, aposta que dificilmente os preços estarão abaixo do mínimo de R$ 400 por tonelada. "Se a economia do País continuar se recuperando haverá um forte aumento no consumo de farinha, o que deve impulsionar os preços", diz.
 
 
 
 
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