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Brasil

Comerciantes estão em "pé de guerra" na fronteira

10 Ago 2010 - 09h44Por Dourados News


Comerciantes de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero estão se desentendendo por causa da concorrência dos paraguaios que vendem seus produtos mais baratos e ainda entregam no território brasileiro.

Na manhã de ontem (09) ruas que dão acesso a Pedro Juan Caballero amanheceram bloqueadas por barreiras de concreto construídas no final de semana. Assim que tomou conhecimento do fato secretário de infra-estrutura, Governo e Comunicação de Ponta Porã, Hélio Peluffo Filho mandou retirar as barricadas que estavam na rua Tiradentes, em frente ao Shopping West Garden, em frente ao Max Hiper Mercado e a terceira foi a Guia Lopes, que dá acesso ao Studio Center.

Os blocos de concreto estavam dos dois lados da fronteira e logo na madrugada a prefeitura de Pedro Juan Caballero já tinham limpado o lado paraguaio da fronteira. “A melhor maneira de se criar um diálogo é entre as duas associações comerciais que representam os interesses comerciais de um lado e de outro. Nós temos uma situação que, em razão do ocorrido, isso vai combinar com outras ações, como o envolvimento do DNIT o que vai exigir uma série de ações, pois se provocado, o DNIT terá que tomar uma posição; se provocarmos a Agesul, a Agesul terá que tomar uma posição, sendo essas posições no rigor da Lei e não nas benesses da Lei, então temos que avaliar se é bom ou ruim. Temos que achar um meio termo pra tudo isso.”, declarou o secretário Peluffo.

Nenhum comerciante assumiu a responsabilidade pelo protesto. As maiores reclamações ficam por conta da atuação de supermercados e postos de combustíveis. Livre de impostos, os paraguaios podem vender alguns produtos 60 por cento mais barato do que no comércio do Brasil. No caso dos combustíveis e lubrificantes a existência de postos nas proximidades da Linha Internacional quase que viabilizam a atividade em Ponta Porã e nas outras cidades que fazem fronteira com o país vizinho.

Para Peluffo, o bom senso é a melhor maneira para resolver o problema e que isso deve partir das associações comerciais das duas cidades. “Sei isso não acontecer todos podem sair prejudicados, tanto brasileiros quanto paraguaios, afinal existe uma legislação sobre a Linha, e o que se faz hoje, é uso e costume”, disse ele.

O presidente da Câmara de Comércio de Pedro Juan Caballero, Kalil Al Hage, presidente da Câmara do Comércio de Pedro Juan Caballero, disse que o problema vivido hoje já teve o outro lado da moeda. “Sempre existiu certas diferenças e nós sempre aceitamos. Teve um tempo em que os comerciantes paraguaios ficaram praticamente parados com a crise do dólar e todos iam compras em Ponta Porã, inclusive muitas casas comerciais fecharam do lado do Paraguai, mas ninguém fechou a fronteira. Não vamos levantar o muro de Berlim aqui. As economias estão se abrindo, como os acordos, com o Mercosul”, declarou o empresário que na manhã de ontem participou de uma reunião com empresário das duas cidades.

O presidente da Associação Comercial e Empresarial de Ponta Porã, Evaldo Pavão, defende a instalação de uma Câmara Internacional de Arbitragem na fronteira para resolver este tipo de conflito. Pavão reclamou que os empresários do Paraguai fazem anúncios de seus produtos nos meios de comunicação do Brasil e que utilizam de todo tipo de material publicitário para atrair os consumidores da fronteira e para as lojas deles.

Já isso é proibido do lado paraguaio da fronteira onde a legislação não permite a propaganda e empresas de outros países. Ainda esta semana uma nova reunião deverá acontecer com a presença dos prefeitos Flávio Kayat de Ponta Porã e Ancho Gonzalez de Pedro Juan Caballero para buscarem uma solução para o problema, que pelo menos ontem não afastou os turistas do lado paraguaio da fronteira onde as lojas estiveram lotadas durante todo o dia.

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