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12 de Setembro de 2013 17h19

Cigarro eletrônico pode ser eficiente para acabar com o vício em tabaco, diz estudo

Minha Vida

O cigarro eletrônico com nicotina pode ajudar fumantes a largar o vício tanto quanto um adesivo de nicotina, afirmam pesquisadores da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, em um estudo financiado pelo Conselho de Pesquisa em Saúde do país.

No entanto, o trabalho ainda é preliminar, e não pode afirmar com certeza se o produto pode ou não ser nocivo à saúde.

Atualmente, o cigarro eletrônico tem sua venda proibida no Brasil, pois a Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA) ainda não aprovou sua comercialização.

A pesquisa, publicada online dia 09 de setembro no jornal The Lancet em conjunto com uma apresentação na reunião da European Respiratory Society, acompanhou 657 tabagistas que pretendiam parar de fumar.

Eles foram escolhidos aleatoriamente pra usar os cigarros eletrônicos (cada um contendo 16 mg de nicotina), adesivos de nicotina diariamente (cada um com 21 mg da substância) ou cigarro eletrônicos sem nicotina no grupo placebo.

Em seis meses, cerca de 7% das pessoas que usaram o cigarro eletrônico não apresentavam mais abstinência, comparando com 5,8% no adesivo e 4,1% do usuários de cigarro eletrônico sem nicotina.

Os pesquisadores afirmam que essas diferenças são modestas, e não são suficientes para provar a superioridade de um método ou outro.

Apesar de tudo, o cigarro eletrônico conseguiu reduzir o consumo médio para dois cigarros por dia - proporção estimada pelos pesquisadores - em uma amostragem maior.

Durante os seis meses 57% das pessoas que usaram o cigarro eletrônico chegaram a essa meta, contra 41% dos usuários do adesivo.

As recaídas também ocorreram mais tarde, em média 35 dias com o cigarro em comparação de 14 dias com o adesivo e 12 dias com placebo.

Adolescentes fumam cigarro eletrônico como parte do vício O uso de cigarros eletrônicos pelos adolescentes dobrou em 2012 com relação ao ano anterior nos Estados Unidos, declaram pesquisadores do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos EUA.

Os resultados foram publicados na edição de 06 de setembro no jornal Morbidity and Mortality Weekly Report, do grupo CDC. O estudo, baseado em um questionário enviado a 20 mil estudantes, é parte de um relatório anual sobre o uso do tabaco entre os jovens.

O órgão afirma que cerca de 10% dos estudantes do ensino médio que disseram ter provado um cigarro eletrônico pelo menos uma vez em 2012, o que representou o dobro do ano anterior.

E menos de 3% disseram ter fumado cigarros eletrônicos regularmente em 2012, contra 1,5% em 2011.

Aproximadamente um milhão e 780 mil estudantes americanos do ensino médio e segundo ciclo do ensino fundamental - entre 11 e 18 anos - fumaram o cigarro eletrônico em 2012.

Estima-se que 160.000 deles nunca tinham fumado um cigarro convencional, um fato considerado preocupante para os cientistas, porque o impacto geral do uso do cigarro eletrônico na saúde pública é desconhecido.

Em vez de usar o cigarro eletrônico como um substituto para o tabaco, 76% dos jovens usuários também fumavam cigarros regulares.

Segundo os autores, um dos perigos dos cigarros eletrônicos é que eles podem incentivar as crianças a experimentar cigarros reais

Sete métodos ajudam a parar de fumar

Quem já tentou sabe que largar o cigarro não é fácil. No entanto, os dados do Ministério da Saúde mostram uma luz no fim do túnel: de acordo com a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), a parcela da população brasileira acima de 18 anos que mantém o vício em cigarro caiu 20% em todo país nos últimos seis anos.

Vários métodos podem ser utilizados para deixar de fumar, desde a parada abrupta até o suporte de produtos à base de nicotina, as chamadas terapias de reposição.

"Vários fatores influenciam na escolha do método, como motivação, medos sobre parar de fumar e sintomas de ansiedade", afirma a psicóloga e especialista em tabagismo Sabrina Presman, da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead).

Segundo a especialista, um tratamento efetivo envolve a abordagem de três aspectos: físico, psicológico e comportamental.

"Além de contornar a abstinência (físico), é preciso desvincular o cigarro de emoções como alegria ou tristeza (psicológico) e de hábitos como tomar café ou dirigir (comportamental)", diz.

Só uma avaliação médica criteriosa é capaz de indicar qual o tratamento ideal para cada paciente.

Está interessado e quer saber mais sobre os métodos disponíveis? Confira as orientações dos especialistas:

Chicletes de nicotina

As gomas de mascar feitas à base de nicotina devem ser utilizadas quando o paciente estiver com sintomas de abstinência ou vontade intensa de fumar.

"Aos serem mastigados, os chicletes liberam nicotina gradualmente, e esta é absorvida pela mucosa oral, com pico em 20 minutos", explica o cardiologista Roberto Cury, do Laboratório Pasteur, em São Paulo.

Nesse caso, a ação da nicotina no organismo é diferente de quando é inalada com a fumaça do cigarro, pois será depositada na corrente sanguínea em doses pequenas com o objetivo de controlar o vício.

A psicóloga e especialista em tabagismo Sabrina Presman, da Associação Brasileira de Estudo do Álcool e Outras Drogas (Abead), diz que um fator importante para que o uso desses chicletes seja eficaz é sua técnica de utilização.

"Eles não devem ser mastigados como um chiclete comum, e sim mascados algumas vezes até que o sabor da nicotina fique aparente, e após isso deve-se depositar o chiclete entre a gengiva e a bochecha até que o gosto desapareça", afirma.

"O mesmo ciclo de mastigar e depositar o chiclete deve ser repetido até que se completem 30 minutos de uso, quando ele deve ser desprezado."

O cardiologista Roberto afirma que os chicletes de nicotina são contraindicados para pacientes com distúrbios da articulação temporo-mandibular, má dentição ou gengivite e gestantes.

"No caso das futuras mães, sabe-se que a nicotina está associada ao nascimento de bebês de baixo peso, devendo ser excluída toda a nicotina da gestação", afirma a psicóloga Sabrina.

"Entretanto, a utilização das terapias de reposição de nicotina, como adesivos e chicletes, ainda é mais segura que continuar fumando."

Os efeitos colaterais podem incluir náuseas, vômito, dor abdominal, cefaleia, tosse, excesso de salivação e irritação da mucosa da orofaringe. Além disso, ingerir líquidos enquanto masca a goma pode "lavar" a nicotina bucal, tornando o produto ineficaz.

Pastilhas de nicotina

Parecidas com os chicletes, as pastilhas de nicotina também liberam a substância gradativamente, devendo ser usadas em baixo na língua.

"As pastilhas exigem uma dose maior para pacientes que fumam o primeiro cigarro em menos de 30 minutos após acordar", afirma o cardiologista Roberto.

Por não exigir mastigação, ele pode ser usado em pacientes com distúrbios da articulação temporo-mandibular ou má dentição, mas as demais contraindicações são as mesmas do chiclete.

"As pastilhas de nicotina podem ser usadas por até três meses e os efeitos colaterais são similares ao da goma."

O ideal é que a pastilha seja movida de um lado para o outro da boca até se dissolver completamente, sendo utilizada quando o paciente sentir vontade de fumar, não excedendo a quantidade diária indicada na bula.

Adesivos de nicotina

Com o objetivo de aumentar ainda mais as taxas de abstinência ao tabaco, foram desenvolvidos os adesivos de nicotina transdérmica. "Eles devem ser usados constantemente e trocados a cada 24 horas, sem interferir nas atividades do indivíduo", explica a especialista em tabagismo Sabrina.

O cardiologista Roberto afirma que eles estão indicados para todas as pessoas que querem largar o tabagismo, não possuindo nenhuma contraindicação formal, com a ressalva para gestantes.

O uso dos adesivos de reposição deve ser feito durante 45 a 90 dias, sendo que a dosagem depende de quantos cigarros a pessoa fumava por dia.

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