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19 de Novembro de 2004 17h43

Censo Agrícola é adiado por mais um ano

O setor agrícola brasileiro deve ficar mais um ano sem os dados atualizados do censo agropecuário. As previsões eram de que todo o planejamento e logística fossem montados em 2005, para que os recenseadores pudessem fazer o levantamento de campo em 2006. Mas o governo não incluiu a verba necessária para o projeto no orçamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão do Ministério do Planejamento.

Segundo o IBGE, para manter o atual cronograma seriam necessários R$ 50,00 milhões em 2005, R$ 233,00 milhões em 2006 e R$ 50,00 milhões em 2007. Sem a previsão desses recursos, o instituto está adiando a preparação para 2006 e o trabalho de campo para 2007, diz Antonio Carlos Florido, gerente nacional do censo agropecuário.

O adiamento vai prejudicar de novo a série histórica de dados sobre a agricultura brasileira. O último censo foi realizado entre agosto de 1995 e julho de 1996, usando o período do ano-safra, e não o ano civil (de janeiro a dezembro), como sempre foi feito anteriormente. Na época, houve atrasos na liberação de recursos, o que adiou o início da pesquisa
para o meio do ano. Com isso, boa parte dos dados do último censo não pode ser usada para o cálculo do PIB agrícola, que reflete a renda do setor no ano civil. "Os dados básicos para o cálculo do PIB agrícola ainda tiramos do censo de 1986", diz o gerente de Bens e Serviços da Coordenação das Contas Nacionais do IBGE, Gélio Bazoni.

A decisão de adiar o início do censo provocou protestos na comunidade
de pesquisadores do setor. A Sociedade Brasileira de Economia e Sociologia Rural (Sober) enviou carta ao ex-ministro do Planejamento, Guido Mantega, pedindo a revisão do orçamento do IBGE. Na carta, o presidente da Sober, Antonio Salazar Brandão, ressalta que o adiamento vai agravar "a carência de informações sobre a realidade rural brasileira".

O professor da Faculdade de Economia da USP e ex-secretário de política agrícola no primeiro governo FHC, Guilherme Dias, lembra que houve uma brutal mudança no setor agropecuário nos últimos cinco anos. "E há uma profusão de suposições sobre o setor, que somente um censo pode resolver. O censo de 1995 já foi falho e tudo isso compromete as análises e o planejamento tanto do setor privado quanto
do governo", diz Dias.

Antonio Florido lembra que boa parte do planejamento dos recursos para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) é feita com base em dados de dez anos atrás. "Um exemplo são recursos do Pronaf Infraestrutura, que vão para os municípios. Nesse período, muita coisa mudou e as verbas podem estar sendo distribuídas para regiões que não mais necessitam e vice-versa", afirma Florido.

Parte dos dados é atualizada pela Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), realizada anualmente pelo IBGE, mas considerada menos confiável pelos analistas. Gervásio Castro de Rezende, pesquisador do IPEA e especialista em economia agrícola, destaca que a PAM tem muitos problemas, pois é feita com dados recolhidos por uma comissão local, que muitas vezes tem representantes das prefeituras.
 
 
Famasul
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