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Brasil

Carvoarias da Amazônia ainda usam trabalho escravo

27 Ago 2007 - 13h09
RIO DE JANEIRO - Cerca de 12 por cento das carvoarias existentes na Amazônia brasileira ainda utilizam mão-de-obra escrava, apesar da grande operação de combate a esse crime lançada em 2004, afirmou o Instituto Carvão Cidadão (ICC), um órgão de fiscalização do setor.

O carvão vegetal produzido na região é comprado por fabricantes locais de ferro-gusa, uma das matérias-primas usadas na produção de aço.

A região de Carajás, na Amazônia, é um dos maiores centros exportadores de gusa, exportando cerca de 6 milhões de toneladas do produto por ano. Essa região possui um total de 1.500 carvoarias, segundo o ICC.

"Grandes avanços foram realizados, tendo sido fechadas 316 carvoarias que cometiam infrações", afirmou Cláudia Brito, diretora técnica do ICC, na noite de sexta-feira, em entrevista por telefone.

Produtores de carvão viram-se sob pressão internacional vinda de consumidores norte-americanos de gusa, que não aceitam a idéia de o material importado ser produzido em meio a irregularidades trabalhistas ou ambientais.

 

                                                                 Interrompida



A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) , a maior produtora de minério de ferro do mundo, anunciou na semana passada que interromperá o fornecimento de minério para dois fabricantes do Estado do Pará, a Cosipar e a Usimar, porque as atividades delas "não atendem às leis ambientais e/ou trabalhistas que vigoram no Brasil".



Segundo o ICC, as condições desumanas envolvendo o trabalho escravo, registradas em carvoarias dos Estados do Maranhão, Pará, Tocantins e Piauí, foram em grande parte erradicadas.



"No entanto, ainda há diferenças profundas entre as condições de trabalho em um Estado e em outro", afirmou Brito.



"O trabalho escravo foi em grande parte erradicado entre as carvoarias do Maranhão, apesar de o Pará ainda apresentar sérios problemas nesse aspecto", disse.



O Pará, que produz um volume de carvão maior do que o Maranhão, é o "campeão do trabalho escravo no Brasil, com problemas persistentes no setor carvoeiro", afirmou a diretora técnica do ICC.



O principal problema, no Pará, é que há vários fornecedores de carvão para os produtores de lingotes de ferro e não se conhecem com exatidão as cadeias de fornecimento.



Antes de 2004, quando o instituto começou a inspecionar as carvoarias, apenas de 2 a 5 por cento das carvoarias existentes no Maranhão funcionavam de acordo com as leis, disse Brito.



"Hoje, 95 por cento delas trabalha segundo as leis."


"Todas as 316 carvoarias excluídas pelos membros do ICC, que acabaram fechando, ficavam no Maranhão", afirmou Brito.

 

ICC



O ICC, com sede no Maranhão, foi formado e é financiado por um grupo de 14 produtores de gusa de Carajás, entre os quais a Vale, a Cosipar e a Usimar.



O instituto nasceu depois de o Ministério do Trabalho do Brasil ter assinado, em setembro de 2004, um pacto com o setor para combater o uso de mão-de-obra escrava.

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