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Brasil

Cargill fecha acordo com a Seara

4 Set 2004 - 09h57

Tarde de terça-feira, 31 de agosto. Executivos da Seara e da americana Cargill, reunidos em São Paulo, discutem os últimos detalhes de um acordo costurado nos últimos dez meses, entre Itajaí (SC) e Minneapolis (EUA). No final do dia, por volta das 18h30, o destino das companhias no Brasil está selado. Após detalhadas revisões, um documento sucinto é protocolado junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O mercardo brasileiro de carnes saberia, então, por meio de um fato relevante, que há um novo concorrente de peso. O documento informava a venda do frigorífico catarinense, terceiro maior processador de aves e suínos do País, para a Cargill. Valor do negócio: US$ 130 milhões. A operação marca o retorno do grupo americano ao segmento, no qual não ciscava desde os anos 70. Pelo menos por aqui. Ela mantém unidades de carne nos EUA, Europa e Ásia. Mas percebeu que para se tornar um player global nos negócios de aves e suínos teria de incluir uma companhia brasileira em sua lista de compras. Com a aquisição, os americanos assumem uma empresa de R$ 2 bilhões, nove fábricas, 14 mil funcionários, escritórios na Argentina, Holanda e Cingapura e vendas para 70 países. O bom momento da carne brasileira pode representar uma grande alternativa no cenário mundial. “As duas empresas vão trabalhar juntas para desbravar novos mercados”, comunicou Sérgio Barroso, presidente da Cargill do Brasil.

Para a Seara, a entrada da nova controladora, dona de um faturamento mundial de US$ 62,9 bilhões, vem em boa hora. Embora venha exibindo números crescentes nas vendas internas e externas e seu caixa esteja saudável, a fabricante catarinense tem dívidas de R$ 490 milhões a vencer em um ano. Além do mais, os recursos da Cargill podem acelerar os lançamentos de produtos de maior valor agregado da companhia, como hambúrgueres, nuggets e pratos prontos. É a chave para reforçar a posição no mercado doméstico, esquentar a briga com Sadia e Perdigão.

Carlos Fenerich
Barroso, da Cargill: Primeira medida será fechar o capital da Seara

A compra da Seara acontece dois meses depois de a Cargill anunciar a venda de suas operações de suco de laranja para os grupos Cutrale e Citrosuco. O movimento foi entendido pelo mercado como uma reestruturação dos negócios americanos em território brasileiro. “Aproveitamos grandes oportunidades. Foi só isso”, garante Maria Helena Miessva, gerente de assuntos corporativos da Cargill do Brasil. As negociações para a aquisição da Seara começaram em novembro de 2003. O primeiro executivo da Cargill brasileira a pisar na sede do frigorífico, em Itajaí (SC), foi o presidente Sérgio Barroso. Queria conhecer o comandante da empresa catarinense, Júlio Cardoso, e verificar de perto a operação da Seara. Nos meses seguintes, as visitas do homem-forte da Cargill se tornaram cada vez mais freqüentes e as conversas com Cardoso, cada vez mais demoradas. Barroso já não estava sozinho nessas ocasiões. Era escoltado por dois executivos do board da Cargill: Sérgio Rial, chefe da divisão de ingredientes alimentícios na América Latina, e o americano Lee Skold, diretor mundial da Cargill Foods. A essa altura, enquanto os missionários do grupo pesquisavam in loco a operação Seara, o board, em Minneapolis, se reunia com o fundo de investimento americano Mutual, dono do frigorífico brasileiro. Com US$ 130 milhões na mão não foi difícil convencer o banco a vender 61,9% do capital total da Seara.

IstoÉ

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