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RIO_DOURADOS
27 de Agosto de 2004 15h42

Candidaturas de mulheres deste ano crescem só 3%

Levando em consideração o número de candidatas que concorrem ao cargo de vereadora e prefeita, a participação das mulheres na política deve crescer apenas 3% nas eleições deste ano em comparação a 2000.

A tendência foi verificada no levantamento "As Mulheres nas Eleições Municipais de 2004", elaborado pelo Cfemea (Centro Feminista de Estudo e Assessoria), que comparou as candidaturas de 2000 com as de 2004, com base em dados preliminares deste ano do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

"O preconceito de homens e mulheres em votar em mulheres ainda existe e é grande. Nós esperávamos que o crescimento da participação política das mulheres neste ano fosse maior. Mas ainda há muita resistência em reconhecer o papel das mulheres na política e não apenas o seu desempenho doméstico", diz Almira Rodrigues, socióloga e diretora do Cfemea.

O número de mulheres que concorrem a um cargo de vereadora cresceu de 19% para 22%. Em 2000, elas eram 70.321 dos 367.344 candidatos. Neste ano, somam 73.827 do total de 333.378 candidaturas.

Já as mulheres que concorrem ao cargo de prefeita representam neste ano 9,33% do total de candidaturas, contra 7,59% em 2000. Naquele ano, as mulheres participaram de 1.139 candidaturas, do total de 15.016, contra as 1.398 que concorrem neste ano. Em 2004, os candidatos a prefeito no país somam 14.982.

Segundo a diretora do Cfemea, a resistência dos eleitores brasileiros é maior com relação à eleição de mulheres para o cargo de prefeitas do que para vereadoras. "Temos depoimentos de pessoas que falam que até votariam em mulheres para vereadora, mas para prefeita de jeito nenhum."

Machismo

O estudo também comparou as candidaturas das mulheres para vereadores e prefeitas entre os Estados. Em ambos os casos, a região sul --famosa pelo folclore do machismo gaúcho-- registrou os índices mais baixos de todo o país.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, as mulheres que se candidataram a prefeita são apenas 5,4%; em Santa Catarina, 3%; e no Paraná, 8%. As médias mais altas foram registradas no Amapá (17%), Alagoas (16%) e Rio Grande do Norte, com 14%. A média nacional de candidatas a prefeitas foi de 9%.

Para justificar a pequena participação das mulheres no cenário político, Almira diz que "o sistema é perverso" e a competição com os homens, desigual. "As mulheres não têm a mesma influência que os homens e falta incentivo ainda dentro dos partidos para ampliar a participação feminina no cenário político."

Para ela, a cidade de São Paulo tem uma importante trajetória de sucesso de mulheres no poder executivo, com as eleições de Luiza Erundina (1989-1992) e Marta Suplicy (2000-2004) na prefeitura.

"São Paulo está valorizando muito as mulheres. É uma sociedade que aposta e demonstra que quer inovação", afirma.

Questionada se a prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), candidata à reeleição neste ano, fez um bom governo e tem chances de se reeleger, Almira preferiu não manifestar o seu palpite. "Eu não posso dizer, não acompanho [o governo] de perto."
 
Folha Online
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