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25 de Junho de 2010 16h45

Cabeçadas em jogos de futebol são cada vez mais graves

Folha Online

Médicos do esporte observam um aumento no número de traumas na cabeça em jogos de futebol. Nos últimos anos, os atletas se tornaram mais rápidos e fortes e passaram a colidir mais entre si.

Hoje, o jogador corre 12 km durante uma partida. Na década de 80, corria 9 km. Também se tornaram mais comuns as jogadas aéreas (nas quais os atletas disputam a bola com a cabeça).

Esses fatores, na percepção dos especialistas em medicina do esporte, aumentaram a frequência e a gravidade das cabeçadas entre jogadores, que são a principal causa das lesões.

No último sábado, por exemplo, o lateral John Pantsil, da seleção de Gana, tomou uma cabeçada no jogo contra a Austrália e teve de sair do gramado com forte sangramento no nariz.

Em abril, o goleiro brasileiro Júlio César Jacobi, que atua no time português Benfica, sofreu uma pancada na cabeça durante um jogo e teve uma amnésia temporária: não conseguia se lembrar dos lances da partida.

"A impressão é que deveriam aumentar o campo para ampliar o espaço de jogo. O vigor físico também melhorou demais", comenta o médico do esporte José Sanchez, coordenador médico do São Paulo Futebol Clube.

"No passado, era raro ver traumatismo craniano, hoje se vê toda hora, e não só numa partida, nos treinos também. Para quem está no banco, é um horror", acrescenta.

Com base nessas constatações, pesquisadores do Centro de Traumatologia do Esporte da Unifesp pretendem mapear o impacto dos traumas na cabeça ao longo da vida profissional dos jogadores do São Paulo.

Em 2006, eles fizeram um estudo preliminar com o time profissional -40% dos jogadores disseram, então, já ter sofrido uma batida na cabeça com sintomas.

Agora, pretendem trazer ao Brasil um teste neurológico desenvolvido pela Universidade de Pittsburgh, nos EUA, para acompanhar a recuperação de atletas que sofrem lesões na cabeça.

"Isso não existe no país. O primeiro passo é estudar qual é a lesão e as suas características, para pensar o tratamento", diz a fisiatra Sheila Ingham, pesquisadora do centro da Unifesp e da AACD.

RISCOS

Não há dados brasileiros sobre a incidência desses traumas. Mas estudos internacionais apontam que 10% de todos os jogadores de esporte de contato sofram ao menos uma lesão na cabeça por ano. Em dez anos de profissão, o jogador de futebol tem 50% de chances de sofrer um trauma.

A situação que apresenta mais risco é retornar ao jogo depois de uma cabeçada com sintomas. Alguns desses sintomas são perda de memória, náuseas e vômitos - e o alerta vale também para jogadores amadores.

Nesses casos, o jogador deve ser substituído e fazer exames, é óbvio. Se perder a consciência, hospital no ato.

"Os médicos fizeram reuniões com a CBF para tornar isso um protocolo em todos os times das séries A e B do Campeonato Brasileiro. Mas não é fácil dizer que o jogador tem de sair do jogo, todo mundo quer que ele volte", afirma Sanchez.

Para reduzir riscos, jogadores devem aprender a se defender ao disputar a bola com a cabeça. É indicado proteger-se com os braços e cabecear de olhos abertos, mas a maioria fecha os olhos.

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