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Buscas pelo corpo de Eliza continuam, segundo delegado

31 Jul 2010 - 09h52Por G1
As buscas pelo corpo de Eliza Samudio continuam, apesar do encerramento das investigações sobre o desaparecimento e suposta morte da jovem. A informação foi dada pelo delegado Edson Moreira, presidente do inquérito sobre o caso, em entrevista, nesta sexta-feira (30), no Departamento de Investigações (DI), em Belo Horizonte.

O inquérito foi encerrado na quinta-feira (29) e entregue à Justiça nesta sexta. Mesmo sem a polícia ter encontrado vestígios do corpo de Eliza, nove pessoas foram indiciadas por suspeita de envolvimento na morte da jovem. Todos negam participação no crime.

De acordo com relatório divulgado pela polícia, há três provas de que a jovem foi morta. São elas:
1 - o sangue dela encontrado em um dos carros de goleiro;
2 - o resgate do filho de Eliza (que foi encontrado na casa de uma mulher desconhecida, em Ribeirão das Neves, em Minas Gerais); e
3 - a contratação do ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, que, segundo a polícia, também é conhecido como Bola, Paulista, Neném e Russo.

A polícia citou outras provas técnicas e testemunhais que, segundo a equipe de investigações, mostram que houve homicídio e ocultação de cadáver. Entre elas estão cruzamentos de ligações telefônicas feitas pelos suspeitos, laudos dos registros dos computadores de Eliza e de Luis Henrique Ferreira Romão (amigo de Bruno conhecido como Macarrão) e citações de reportagens.

 Eliza está desaparecida desde o início de junho. Ela teve um relacionamento com o goleiro Bruno de Souza, e tentava provar, na Justiça, que teve um filho do atleta. Moreira disse que a gravidez "despertou a ira de Bruno" e que ele e os amigos planejaram o assassinato da jovem. A criança tem, hoje, cinco meses de idade, e está com a mãe de Eliza, em Mato Grosso do Sul.

Garantias
Para Moreira, o filho de Eliza não seria abandonado porque ele seria fundamental para ela obter o dinheiro que vinha pedindo ao goleiro Bruno. Ela não deixaria o filho na mão de terceiros, pois a criança seria a garantia de uma pensão alimentícia razoável e duradoura, que asseguraria seu futuro e da própria criança pelos próximos 18 anos, em uma situação tranquila financeiramente, além de probabilidade de participação de programas de TV mediante pagamento de cachês, disse o delegado, na entrevista.

No relatório, a polícia ressalta que, depois que tiraram o bebê da mãe, os amigos de Bruno passaram a chamá-lo com outro nome na tentativa de apagar quaisquer vínculos de relação com Eliza.

O texto da polícia ainda destaca a contratação de Bola, um homem com vivência policial preventiva e investigativa, dtoado de conhecimentos de técnicas de combates urbanos e nas selvas, com domínio e manuseio de materiais explosivos. Claro que tendo uma pessoa experiente, que conhece e sabe como matar e sumir com um corpo, vai ser difícil achar esse corpo. Por isso que optamos pela materialidade indireta, que é importante, falou Moreira.

Crime premeditado
Moreira acredita que o crime foi premeditado e que o goleiro Bruno usou o período de folga, durante a Copa do Mundo, para executar o plano.

As investigações se basearam no primeiro depoimento dado por um adolescente que foi detido na casa de Bruno, no Rio de Janeiro. Depois, o menor mudou suas versões e chegou a desmentir toda a história, de acordo com o advogado dele, Eliézer Jônatas de Almeida Lima.

Também são considerados importantes os testemunhos de Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, e de Dayanne Souza, mulher do goleiro. Os dois estão presos e também chegaram a desmentir declarações feitas à polícia, de acordo com seus defensores.

O delegado disse que o adolescente ainda é o único que esteve presente no início ao fim do caso. A polícia calçou cientificamente o depoimento do menor. As provas científicas que temos, o GPS, o sangue dele e da Eliza [em um carro de Bruno e a descrição do Bola, que tem uma falha na arcada dentária superior. Por último, a descrição da morte de Eliza, por asfixia”, disse Moreira.

O pai de Eliza Samudio, Luiz Carlos Samudio, foi até o Departamento de Investigações, nesta tarde. Ele chorou durante a entrevista do delegado. Não vou descansar enquanto não encontrar Eliza. Essa é a próxima etapa, disse ele, ao deixar o prédio. O advogado Sérgio Barros da Silva, que defende Luiz Carlos, disse que o cliente ficou feliz com o trabalho da polícia.

 Histórico
Na entrevista desta tarde, Moreira disse que, durante 40 dias, trabalharam no inquérito cinco delegados, 20 agentes e dez peritos. Ele apresentou uma linha do tempo sobre o suposto sequestro e a possível morte de Eliza Samudio.

O relato começou com o inquérito sobre a suposta agressão sofrida por Eliza, no ano passado. Ela procurou a polícia, no Rio de Janeiro, e afirmou que foi obrigada a tomar substâncias abortivas. Exames feitos pela polícia fluminense foram considerados inconclusivos.

De acordo com Moreira, em maio, o menor e Luiz Henrique Ferreira Romão, amigo de Bruno conhecido como Macarrão atraíram Eliza para o Rio de Janeiro prometendo que iriam acertar o valor da pensão e que Bruno ainda daria um apartamento para ela, em Belo Horizonte, para que o filho fosse criado perto da família do goleiro.

Inquérito
O inquérito tem oito volumes, com cerca de 1.600 páginas e três anexos. O goleiro Bruno de Souza, Luiz Henrique Ferreira Romão (Macarrão), Flávio Caetano de Araújo; Wemerson Marques de Souza, Dayanne Souza (mulher de Bruno), Elenilson Vitor da Silva, Sérgio Rosa Sales (primo do atleta) e Fernanda Gomes de Castro (amante do goleiro) foram indiciados por homicídio triplamente qualificado (uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, motivo torpe e uso de meio cruel), sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores.

O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos foi indiciado por homicídio triplamente qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

De todos os indiciados, Fernanda é a única que está em liberdade. A polícia informou, nesta sexta, que pediu a prisão preventiva dela.

A prisão temporária dos outros suspeitos foi decretada no início de julho. Todos estão presos na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Também nesta sexta, a polícia pediu a prisão preventiva dos oito suspeitos, com o objetivo de prorrogar a permanência deles na cadeia.

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