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Brasil perde para 79 países em igualdade de gênero, diz ONU

5 Nov 2010 - 06h27Por Folha Online

A discriminação contra a mulher é capaz de provocar reviravoltas na avaliação do desenvolvimento humano, mostra o Índice de Desigualdade de Gênero (IDG), incluído no relatório divulgado pelo Pnud.

Apesar de ter mais mulheres (48,8%) do que homens (46,3%) adultos com o secundário completo, o Brasil perde 63% do seu IDH geral devido ao mau desempenho em mortalidade materna, incidência de gravidez na adolescência e participação feminina no Legislativo e no mercado de trabalho.

A perda é maior do que a média mundial (56%).

No ranking do IDG, o país está em 80º lugar entre 138 países, lista liderada por Holanda e Dinamarca. Fica atrás de seis vizinhos latino-americanos, entre eles Cuba, Costa Rica e Chile. O Iêmen é o país com o pior IDG.

Africanos e árabes em geral tem mau desempenho no índice _a Arábia Saudita perde 76%. A Argélia, no entanto, tem perda um pouco menor do que a brasileira --59%.

SEGURANÇA

Com 22 assassinatos por cem mil habitantes, o Brasil tem a 12ª pior taxa de homicídios entre 147 países, segundo o relatório. O cálculo leva em conta a média dos anos de 2003 a 2008.

O recorde negativo da lista é de Honduras (60,9 por cem mil), seguida por Jamaica (59,5), Venezuela (52), El Salvador (51,8) e Guatemala (45,2).

Os dados mostram que não há relação imediata com a pobreza: países de baixo desenvolvimento humano, como Burkina Faso e Gâmbia, têm taxas muito baixas (0,5 e 0,4, respectivamente), ao lado de Cingapura, Islândia, Japão e Mônaco.

A taxa de homicídios pode ajudar a explicar por que os brasileiros têm baixa percepção da segurança --só 40% se sentem seguros, segundo pesquisas do Gallup usadas no relatório. Nesse quesito, três vizinhos sul-americanos se sentem ainda pior: venezuelanos, argentinos e equatorianos.

Em contraste, a medição da percepção de bem-estar mostra os brasileiros satisfeitos com a vida --índice 7,6, numa escala de 0 a 10, sendo os 21º mais satisfeitos entre 150 países. Costarriquenhos e dinamarqueses lideram a lista, e os tanzianianos são os menos satisfeitos.

POBREZA

O relatório traz também um Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), que leva em conta 10 indicadores relativos a educação, saúde e condições de vida.

O Brasil tem 8,5% da população enquadrada nessa condição, mais do que os 5,2% que vivem com menos de US$ 1,25 por dia (calculado pelo poder de paridade de compra), mas menos do que os 21,5% que estão abaixo da linha nacional de pobreza.

Entre os 104 países para os quais o IMP foi calculado, o Brasil tem a 40º posição. O ranking é liderado pela República Tcheca (IMP 0) e fechado pelo Níger (92,7%). Entre os latino-americanos, Equador, Argentina, Uruguai e México têm posição melhor do que a brasileira.

 

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