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29 de Dezembro de 2004 14h23

Brasil embarcará menos milho em 2005

Preços internacionais em queda e desvalorização do dólar podem reduzir vendas brasileiras. O Brasil vai exportar menos milho em 2005. Estimativas de mercado indicam que o País vai comercializar com o exterior 40% a menos do que o remetido em 2004. As vendas externas no próximo ano tendem a ficar próximas ao que o Brasil enviou em 2002, algo em torno de 2,8 milhões de toneladas. Na safra 2003/04 os embarques vão totalizar 4,6 milhões de toneladas. Os baixos preços internacionais e a valorização do real estão freando as exportações para o próximo ano.

Para o analista Paulo Molinari, da Safras & Mercado, as vendas externas tendem a ser menores porque o preço internacional do grão está quase 20% inferior ao início do ano, devido à safra recorde nos Estados Unidos e, além de o dólar estar desvalorizado, há um quadro "especulativo no mercado". Segundo ele, ainda não existem indícios certos de quanto será a safra total brasileira e se haverá ou não redução no segundo plantio do grão.

Apesar das exportações menores, há quem acredite que aquele que plantou milho vai sair ganhando. O produtor Vilson Thomas, de Planaltina (DF), por exemplo, aumentou a área de milho apostando que o grão vai se valorizar no segundo semestre de 2005. O agricultor passou de 600 para 650 hectares cultivados com o grão. "Não acredito na soja e o milho é mais rentável no mercado interno porque todo mundo diminuiu a área", diz Thomas. Além disso, ele acrescenta que poderá haver quebra no Sul do País e na Argentina, devido à seca que assola a região.

"A única commodity que tem chance de surpreender é o milho", afirma Daniel Dias, da FNP Consultoria. Segundo ele, com a redução da área na primeira safra - estimada pela consultoria em 7,6% - e perspectivas de que a safrinha não será grande - o quadro de balanço de oferta e demanda tenderá a ficar bem ajustado no próximo ano. "A rentabilidade da soja está ruim, deixando o produtor descapitalizado para investir na safrinha", avalia Dias. Aliado ao fato de o analista não acreditar em uma safra total de milho superior a 40 milhões de toneladas - o governo está prevendo 43 milhões de toneladas, repetindo a safrinha passada -, Dias acrescenta que o consumo vai crescer em 2005, deixando a situação mais apertada. Com isso, segundo ele, o Brasil poderia ter de aumentar as importações.

Além disso, já há notícias de seca no Norte do Rio Grande do Sul e Oeste de Santa Catarina, que poderiam provocar quebra na produção. De acordo com o analista, as adversidades climáticas estão ocorrendo justamente no momento de enchimento dos grãos. No Rio Grande do Sul, os municípios de Barra do Rio Azul e Aratiba já decretaram estado de emergência, devido à escassez de precipitações. Com isso, na avaliação dele, os primeiros lotes da safra 2004/05 serão em quantidade menor que o esperado. Segundo Dias prova disso é que negociações do grão para janeiro estão a R$ 15,70 a saca no Paraná, para os atuais R$ 14,50 a saca. No Rio Grande do Sul, onde a escassez é mais evidente, o preço do grão é o maior do Centro-Sul do País: R$ 17 a saca.

"É difícil de prever como ficará o mercado no ano que vem", avalia Mauro Osaki, do Centro de Pesquisas Avançadas em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). Segundo ele, os preços dos três primeiros meses do ano é que definiram o tamanho da segunda safra do grão e, com isso, a evolução do mercado durante o ano. "Além disso, com o câmbio atual, as exportações de frangos e suínos poderão cair e, com isso, o consumo diminuiria", acrescenta Osaki.

"Se a safrinha for normal, a produção dos Estados Unidos grande e o câmbio continuar nesse patamar, o mercado atual não muda", avalia Paulo Molinari, consultor da Safras & Mercado. Segundo ele, a compra dos insumos para a safrinha está atrasada, mas a decisão do produtor só deve ocorrer em fevereiro.

Ano atípico:

O ano de 2004 foi considerado atípico pelos analistas de mercado. Isso porque, em plena safra, quando os preços tendem a cair, as cotações estavam em alta e, na entressafra, começaram a se reduzir.

No início de 2004, havia seca no Sul do País e excesso de chuva no Centro-Oeste, o que prejudicou a produção da primeira safra, 8,7% inferior a de 2002/03 (31,6 milhões de toneladas). Aliado a isso, as exportações recordes no primeiro trimestre - 2,1 milhões de toneladas - refletiram no mercado uma escassez de produto, fazendo com que o preço se elevasse. No entanto, os produtores, esperando valores ainda maiores, estocaram o grão e, quando foram desovar, a segunda safra estava grande demais e os preços caíram. No mês de dezembro, a cotação do milho em Campinas (SP) foi a menor dos últimos 15 meses, segundo levantamento do Cepea/USP.
 
 
 
 
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