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Brasil

Brasil e Argentina fecham acordo na exportação de geladeira

16 Jul 2004 - 08h47
Os governos do Brasil e da Argentina fecharam hoje à noite um acordo sobre o comércio de geladeiras. O Brasil poderá exportar 36.300 unidades nos meses de agosto e setembro.

Nesse período, até o dia 19 de setembro, um grupo de trabalho que será formado pelos dois países fará um levantamento da dimensão do mercado consumidor argentino para, a partir daí, definir uma cota para as exportações brasileiras.

Com isso, pode chegar ao fim a disputa comercial entre as partes, que dura dez dias e que iniciou após as reclamações da Argentina.

O acerto prevê que o Brasil não tenha uma participação superior a aproximadamente 50% do mercado argentino, dando assim espaço para a recuperação das empresas locais, como desejava o governo argentino. Para as vendas de fogões, ficou determinado que o Brasil exportará 90 mil unidades em 2004 e no máximo 47,5 mil fogões no primeiro semestre de 2005.

Os dados foram apresentados no final da noite pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Indústria, Marcio Fortes. Ele chegou ontem à Buenos Aires para participar dos encontros a partir de hoje. A reunião para definir o futuro das exportações de máquinas de lavar brasileiras para a Argentina começou às 19h e não tem previsão para terminar.

A posição do Brasil, segundo Fortes, é que o Brasil tem competitividade para enfrentar terceiros mercados na Argentina e que qualquer acordo que se faça visa atender as necessidades do mercado local e apoiar a recuperação do parque industrial argentino, que foi praticamente desmontado nos últimos anos por conta da crise econômica vivida pelo país. Entre 1999 e 2002, a economia argentina recuou quase 20%.

Fortes disse ainda, por meio de nota do ministério, que existirá uma cooperação mútua entre os dois países. Nesse processo, serão realizadas parcerias complementares, integração de cadeias produtivas, joint ventures e promoção recíproca de investimentos.

Na avaliação do secretário, os acordos "evitaram a aplicação de medidas restritivas"às exportações brasileiras de fogões e geladeiras. Os encontros tiveram início na última quarta-feira entre técnicos dos setores privados de ambos os países. Os representantes dos governos --do Brasil e da Argentina-- entraram nas negociações nesta quinta-feira.

A polêmica teve início na semana passada, quando o governo argentino elevou de zero para 21% a alíquota de importação das televisores fabricados na Zona Franca de Manaus. Os argentinos também ameaçaram impor cotas para as exportações de eletrodomésticos da chamada linha branca --fogões, geladeiras e máquinas de lavar. A medida provocou protestos dos empresários brasileiros.

Argentina

O embaixador da Argentina no Brasil, Juan Pablo Lohlé, disse hoje que o Mercosul "não é apenas um projeto de liberalização comercial" e sim um "projeto de desenvolvimento econômico". Ele fez as afirmações em resposta aos comentários e as informações veiculadas pela imprensa de ambos os países de que a disputa comercial travada entre Brasil e Argentina colocava em risco a existência do bloco.

Por meio de nota, Lohlé afirmou que as recentes restrições impostas pela Argentina aos produtos da linha branca brasileira levaram em conta o aumento das importações. Segundo os argentinos, as compras feitas pela Argentina do Brasil, aumentaram 121% entre janeiro e maio no caso dos fogões, 126% no caso das geladeiras e 176% para as máquinas de lavar roupa.

"Dessa forma, o consumo dos argentinos nutriu-se no caso das geladeiras de 62% de produtos brasileiros, de 50% nas máquinas de lavar roupa e 30% no de fogões. Isso produziu o fechamento de várias empresas do setor", afirmou o embaixador na nota.

Lohlé citou ainda o caso dos automóveis, incluindo as caminhonete. Isso, segundo ele, tem provocado desequilíbrios comerciais pois o mercado argentino de carros é 60% de automóveis brasileiros. Hoje, durante visita ao ministro Antonio Palocci (Fazenda), o presidente da Volkswagen, Hans-Christian Maergner, disse que esse problema "ainda" não preocupa a empresa, mas que o tema está sendo acompanhado de perto pelo setor automobilístico brasileiro.

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