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Brasil é 3° em mortalidade infantil, diz Unicef

9 Dez 2004 - 17h45
A taxa de mortalidade infantil no Brasil é a terceira mais alta da América do Sul, segundo o relatório Situação Mundial da Infância 2005 - Infância Ameaçada, divulgado hoje pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Para cada mil nascidos vivos no país, 33 morreram antes de completar um ano de vida, em 2003.

Em relação aos países vizinhos, a situação brasileira só é pior que a da Guiana e da Bolívia, que possuem taxas de mortalidade infantil de 52 e 53 óbitos para cada mil nascidos vivos, respectivamente.

O relatório também menciona números mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que calculou 27,5 mortes por mil nascidos vivos.

Para o Unicef, os números são muito altos para um país como o Brasil, apesar das reduções na taxa de mortalidade infantil verificadas nas duas últimas décadas. Em 1980, por exemplo, quase 290 mil crianças morreram antes de completar o primeiro aniversário.

Se for considerado o número de mortes de crianças menores de cinco anos, o Brasil tem uma taxa de mortalidade de 35 óbitos para cada mil nascidos vivos, ocupando a 90ª posição no ranking mundial. Nessa lista, países como Vietnã, cuja taxa de mortalidade infantil é de 23 óbitos para cada grupo de mil crianças, e o México, onde morrem 28 a cada mil nascidos vivos, estão mais bem colocados que o Brasil.

O relatório aponta as dificuldades que tornam as crianças brasileiras mais vulneráveis à mortalidade infantil. Meninos e meninas que vivem em famílias de baixa renda têm duas vezes menos chances de completar o primeiro aniversário do que aqueles que são de famílias com maior renda.

A escolaridade da mãe também é outro fator de peso: crianças cujas mães estudaram até três anos têm quase o dobro de risco de morrer antes de completar um ano de vida do que crianças com mães que têm oito anos ou mais de estudo.

Segundo a a representante do Unicef no Brasil, Marie Pierre Poirier, a mortalidade infantil também está relacionada à falta de acesso à saneamento básico e à água potável.

"Crianças que vivem em famílias pobres não tem acesso à água potável como crianças que vivem em famílias ricas. 35% das famílias pobres não têm acesso à água potável, quando só 0,5% das famílias mais ricas têm esse problema", destaca Marie Pierre.

Em relação a sanemanto, ela salienta que 64% da população pobre não tem acesso à tratamento de esgoto, problema que atinge 8,4% da população mais rica.

 

Agência Brasil

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