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Bento 16 deixa marca como doutrinador e individualista

19 Abr 2007 - 10h35
Um pontificado centrado na palavra e na doutrinação, com importantes doses de conservadorismo. É assim que vaticanistas ouvidos pela BBC Brasil classificam os dois anos de Bento 16 à frente do comando da Igreja Católica.

"Diferentemente de João Paulo 2º, o papa Bento 16 não está interessado em grandes anúncios, gestos ou fatos", disse o especialista em assuntos do Vaticano Sandro Magíster.
 
"É um papa que não faz praticamente nada além de ensinar e celebrar. Sua preocupação está focalizada nas grandes mensagens, na liturgia, nas homilias, na celebração das missas."

Magíster observa, no entanto, um forte sinal de continuidade com relação ao papado anterior, encerrado com a morte de João Paulo 2º, no início de abril de 2005 - Bento 16 completa dois anos de papado nesta quinta-feira, dia 19.

Na comparação com uma obra literária, de acordo com ele, "João Paulo 2º definiu os títulos. Agora, com seu estilo, o teólogo Joseph Ratzinger está escrevendo o texto".

Individualismo e Conservadorismo

Bruno Bartoloni, especialista em religião do jornal Corriere della Sera, concorda. Mas diz que Bento 16 adotou uma linha mais individualista em comparação a seu antecessor.

"Ele é um intelectual que trabalha e toma muitas decisões sozinho. Ao contrário de João Paulo 2º, nem sempre escuta seus colaboradores, o que poderia evitar incidentes, como o ocorrido no ano passado quando ele foi acusado de ofender os muçulmanos", afirma Bartoloni.

"Decisões como a de recuperar o latim como língua sagrada do catolicismo e a missa tridentina de Pio 5º (em que os padres ficam virados para o altar e de costas para os fiéis) são um pouco constrangedoras. Assim como estão sendo anunciadas, sem maiores especificações, João Paulo 2º não faria".

Com a punição, no mês passado, do líder da Teologia da Libertação Jon Sobrino, e a divulgação da Exortação Apostólica sobre Eucaristia, muitos disseram que Bento 16 estaria trazendo de volta o conservadorismo conhecido do período em que era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o antigo Santo Ofício.

Por conta da sua defesa da família tradicional e do celibato para os padres, de ter chamado o segundo casamento de praga e por condenar a eutanásia, o aborto, o uso da camisinha e a união entre homossexuais, o jornal italiano Il Manifesto disse que "Bento 16 estava apagando meio século de história".

O papa foi criticado por caminhar contra a modernidade e o avanço da sociedade.
"Às vezes, tenho a impressão de que o papa é um chefe quase sem tropa", disse o escritor católico Vittorio Mesori em uma entrevista ao jornal La Stampa, numa referência aos católicos que, em privado, não obedecem às normas morais da igreja. "Até vão à missa, mas não seguem as diretivas sobre ética sexual".

Estilo de Bento 16

Ignazio Ingrao, vaticanista da revista Panorama, diz que o pontificado de Bento 16 ainda está em construção, um governo que, lentamente, vai mostrando sua cara.

"Estava errado quem afirmou que Ratzinger comandava a Igreja Católica nos anos que antecederam a morte de João Paulo 2º", afirma Ingrao.

"O papa polonês tinha seu grupo com funções muito determinadas. Ratzinger era mais um. Prova disto é que, em dois anos, ele mudou o governo do Vaticano, afastando todos os colaboradores mais fiéis de seu antecessor."

Segundo Magíster, o papa inovou na nomeação da Cúria romana ao deixar de promover quem já trabalhava no Vaticano.

"Este é um indicativo do estilo que ele quer governar a igreja, com a colaboração de algumas personalidades do episcopado mundial.

Entre eles, destaque para os cardeais dom Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, e Ivan Diaz, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que participaram do conclave como papáveis e são figuras de primeira linha no mundo da igreja", assinala.

"Classificá-los como progressistas ou conservadores não seria correto. Foram escolhidos devido ao trabalho que desempenharam em questões importantes e verdadeiras para o catolicismo."
 
 
Folha Online

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