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Banda Vingadora desponta como hit do verão com 'Paredão Metralhadora'

Liderado por Tays Reis, grupo ajuda a levar o gênero arrochadeira para fora da Bahia

2 Fev 2016 - 10h30Por O Globo

Se 2016 ainda não tem um "Lepo lepo" para chamar de seu, o principal candidato ao disputado posto de hit do verão vem dos paredões de som do interior da Bahia. Foi nessas tradicionais festas que a Banda Vingadora, criada há cerca de um ano e liderada pela vocalista Tays Reis, estourou com "Paredão Metralhadora" e seu "Trá-trá-trá" de refrão. Recheada de referências claras a esses sistemas de som ("Paredão zangado/ Grave tá batendo/ Médio tá no talo/ Corneta tá doendo"), a música-chiclete da vez virou um fenômeno na internet.

VEJA O CLIPE

Em pouco mais de um mês, seu clipe, uma produção em clima de guerra pós-apocalíptica assinada pela Agência Califórnia, já ultrapassou a marca de 26 milhões de visualizações. Segundo a empresa de aferição Crowley, a canção aparece em rádios de todo o país, com destaque para praças como Fortaleza, Triângulo Mineiro, Vitória e interior do Rio.

Na semana passada, por exemplo, Tays apresentou a música ao vivo no "Mais você", na Globo, gravou participação no "Vídeo show" e fez dueto com Anitta no ensaio de seu bloco, na Lagoa - a carioca, aliás, é, ao lado de nomes como Ivete Sangalo, Wesley Safadão e Claudia Leitte, uma das estrelas que têm ajudado a popularizar o "trá-trá-trá" da Vingadora ao cantar a música em seus shows. O clipe, porém, foi um divisor de águas para o grupo.

— A partir dele, deixamos de ser uma banda de Itabuna para ter repercussão nacional e fazer shows fora da Bahia — conta Tays, de 21 anos, que chegou a cursar dois semestres de Jornalismo antes de se dedicar integralmente ao grupo, com o qual tem feito cerca de 25 apresentações por mês. — Somos muito gratos ao paredões, pois são eles que empurram o sucesso na nossa região. O Paredão Metralhadora existe mesmo, é um desses sistemas de som. O "trá-trá-trá" é uma referência ao barulho que sai das caixas. E a música fala dessa disputa de sons. Mas acho que o principal é a coreografia, que vende a música. Além de levar alegria, a dança também vende saúde. E a Bahia gosta disso, de músicas gostosas, dançantes. Mas é claro que não imaginávamos esse sucesso todo. É difícil uma banda tão nova emplacar uma música a nível nacional, com tantos ídolos cantando. Sou muito grata a eles. Se não fossem Ivete e Anitta, ainda estaríamos ralando muito no interior.

Nos tais paredões que dominam as festas do populoso interior baiano, o gênero mais reproduzido é o arrochadeira, um híbrido de arrocha com pagode baiano, que tem em Neto LX (do hit "Gordinho gostoso") e no grupo Rei da Cacimbinha ("Pop 100" e "Muriçoca") seus representantes mais notáveis.

— O arrochadeira é um ritmo que surgiu há uns dez anos, mas só se tornou forte recentemente. Ele tem lógica parecida com a do arrocha, de ser uma opção econômica (as bandas se limitam a formações de voz, teclado e bateria eletrônica, o que torna sua circulação muito mais fácil do que se fossem formadas por muitos integrantes). Só que o arrocha é mais lento, mais ligado ao brega e com um pouco de sertanejo. O arrochadeira pega a quadradeira, o balanço, o ritmo do pagode e mistura com o sampler e outros elementos da música eletrônica — explica o jornalista baiano Luciano Matos, apresentador do programa "Radioca", da rádio Educadora FM.

 

PIONEIRA NO GÊNERO ARROCHADEIRA

Em um campo tradicionalmente dominado por homens, surgiram Tays Reis e a Banda Vingadora. O próprio nome do grupo é um grito por mais espaço, como ela explica:

— Falavam muito que mulher não podia fazer arrochadeira. Estamos em pleno século XXI, diversas discussões sobre feminismo rolando, mas ainda temos que lidar com esse tipo de preconceito. Viemos para quebrar essa mentalidade. Somos a primeira banda do gênero com uma vocalista mulher, e estou aqui para isso, para defender os direitos femininos. Tanto é que muitas das nossas músicas falam da mulher batalhadora, poderosa, de sensualidade com "empoderamento" ("Eu sei que sou gostosa/ Fama de atrevida/ Mas não confunda as bolas/ Eu nunca fui bandida", diz a letra de uma delas).

Tays explica que compôs todas as músicas do álbum de estreia da Vingadora, "Vem ne mim" (sim, é "Vem ne mim"), em parceria com o empresário da banda. Com doze faixas, o disco será relançado pela Sony Music, que apostou no sucesso meteórico do grupo.

— É tudo muito novo para nós — reconhece Tays. — O nosso primeiro DVD, por exemplo, foi gravado na Brega Light, uma grande festa de São João no interior da Bahia (realizada anualmente na cidade de Ibicuí, em junho). Tocamos para 20 mil pessoas, e foi a primeira vez que nos apresentamos para tanta gente. Eles já sabiam cantar todas as músicas, e isso foi bem antes de o "Paredão" estourar.

 

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