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Bancadas discutem pontos polêmicos da reforma política

12 Jun 2007 - 17h18
A proximidade da votação do projeto de reforma política na Câmara, prevista para esta quarta-feira, está mobilizando os deputados. Desde a manhã desta terça, as bancadas partidárias estão fazendo reuniões para tentar chegar a uma posição sobre os dois pontos mais polêmicos do projeto: o voto do eleitor em lista elaborada pelo partido no lugar de o eleitor votar diretamente no candidato de sua escolha, a chamada lista fechada ou pré-ordenada, e o financiamento público de campanha.

O DEM fechou questão a favor dos dois pontos e ainda a favor da fidelidade partidária e do fim da possibilidade de coligações nas eleições proporcionais. Fechar questão na linguagem parlamentar é obrigar os deputados a votarem como a posição do partido.

A Executiva do PT antecipou a reunião para quarta de manhã, marcada inicialmente para quinta-feira. Integrantes da Executiva já anunciaram que o partido vai fechar questão a favor da lista fechada, do financiamento público exclusivo de campanha, da fidelidade partidária e do fim das coligações. A questão, no entanto, ainda encontra dissidências na bancada. O deputado Jilmar Tatto (PT-SP) foi encarregado de levantar a opinião dos deputados para levar à reunião da Executiva amanhã e tentar influenciar na decisão.

O PMDB decidiu nesta terça que vai liberar a bancada, o que significa que cada deputado poderá votar como quiser e não terá de acompanhar uma decisão partidária. O líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que vai se manifestar no plenário a favor da lista fechada e do financiamento público, mas a votação está liberada. "A lista divide muito. Toda mudança tem o seu risco, mas prefiro que o partido escolha, faça a lista, do que o poder econômico", argumentou o líder do PMDB.

O PTB também deverá liberar sua bancada. O líder do PTB, Jovair Arantes (GO), disse que grande parte da bancada rejeita a lista fechada e o financiamento público. O PSDB está reunido neste momento, mas a decisão deverá ser tomada só amanhã. A bancada está rachada ao meio na questão da lista fechada. O PSB também marcou nova reunião para a amanhã. O líder da bancada, Márcio França (SP), afirmou que, majoritariamente, os deputados do PSB estão contra a lista fechada e contra o financiamento público e a favor do fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais. "A lista tira do eleitor o direito de escolher seus candidatos", afirmou.

PPS e PR

No PPS o quadro é favorável à aprovação dos dois pontos polêmicos. O líder do PPS, Fernando Coruja (SC), afirmou que sua bancada está a favor da lista fechada e do financiamento público de campanha. "Mais de 60% está a favor da lista fechada", afirmou Coruja.

O líder do PR, Luciano Castro (RR), afirmou que sua bancada também é contra a lista e contra o financiamento público. "Com a lista, vamos criar uma ditadura dos partidos. O eleitor vai perder a identidade com o candidato", disse Castro. O PP também é contra os dois pontos. (Denise Madueño)

PT no Senado

A bancada do PT no Senado não quer que o partido feche questão em favor da implantação do sistema de lista fechada (ou pré-ordenada) para as eleições proporcionais. Em reunião nesta terça, os senadores petistas decidiram, por unanimidade, recomendar à Executiva Nacional que deixe a questão em aberto na votação da reforma política. A maioria dos presentes se posicionou contra a lista fechada para a escolha de deputados federais, estaduais e vereadores. Se essa proposta for aprovada, os partidos ficam encarregados de elaborar a lista dos candidatos.

Já os outros temas como o financiamento público das campanhas eleitorais, o fim da coligação partidária para as eleições proporcionais e a adoção da fidelidade partidária receberam apoio da bancada do PT no Senado. A direção nacional do PT vai se reunir nesta quinta-feira para fechar questão em torno da reforma política, o que obriga a todos os parlamentares a votarem com o partido sob risco de punição. Os defensores da lista fechada argumentam que a inovação fortaleceria os partidos em detrimento do voto individual dos eleitores aos candidatos.

 

 

Estadão

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