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Artigo Propaganda Política no Rádio e TV de Antonio Néres

19 Ago 2004 - 11h42

PROPAGANDA POLÍTICA NO RÁDIO E NA TV


 

Antonio Néres

Modéstia à parte, penso ter um currículo de comunicador, especialmente pelo rádio, que me permite aconselhar os candidatos em suas aparições nesse tipo de veículo e na televisão. Claro que abordo tão somente o aspecto formal dos seus discursos, sem entrar na matéria política, que essa é, inteiramente, do orador eventual. Como princípio de conversa recomendo que não façam frases com intercalações em demasia, só as absolutamente necessárias. Tal prática errônea, que parece agradar particularmente a muitos oradores parlamentares pela devoção a explicitude, poderá prejudicar o ouvinte, não raro, no entender a mensagem principal. Se as intercalações forem excessivas, haverá sempre o perigo de ser esquecida a idéia inicial da frase.

Outra recomendação aos mesmos oradores de rádio e tv: evitem os modismos da linguagem comum, tipo 'veja bem', que encerra subjacente imposição de atitude, ou 'entendeu?', uma indispensável alusão à possível deficiente capacidade intelectual do ouvinte. Não pratiquem esse erro que anda circulando livremente por toda parte, inclusive nos parlamentos de todos os graus, que é a duplicidade de sujeitos na frase (exemplos: 'F. de tal, ele... '; 'a Nação, ela... '). Evitem essa deformação lingüística que, além de repetitiva, é tola. Enfim, construam frases diretas, tanto quanto possível sem extensão demasiada; a linguagem radiofônica e televisiva, contrariamente aos textos escritos, não enseja releitura.

É velha a máxima popular de que conselhos só devem ser dados a pedido, mas há situações em que se impõem. É intolerável o que se passa em termos de oratória política quando recém se inicia a propaganda eleitoral. Volto a dizer que não estou entrando na seara dos políticos, só no detalhe da comunicação, e aí os primeiros dias de campanha radiofônica foram lamentáveis, com exceções raríssimas.

O rádio é certamente o mais difundido veículo de comunicação, de modo especial depois da invenção dos pequenos aparelhos portáteis, e assim deve ser entendido. Que seja tratado com o carinho e o cuidado que merece. E, para fim de conversa, desculpem os aconselhados minha invasão de território.

O autor é radialista e jornalista

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