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27 de Agosto de 2004 18h00

Aprovaçãodo presidente Lula cai de 38% para 35%

Pesquisa Datafolha realizada de 17 a 19 de agosto revela que a taxa de aprovação ao governo Lula no país caiu de 38% para 35% em relação à pesquisa anterior, realizada em 1º de março de 2004.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Essa é a menor taxa de aprovação desde o início da atual gestão. A taxa de reprovação, porém, permaneceu em 17%: o que variou foi a proporção dos que consideram o governo regular, de 43% para 45%. A nota atribuída ao governo é de 6,2.

O diretor-geral do Datafolha, Mauro Paulino, 43, adverte porém que é provável que o presidente esteja agora numa trajetória de recuperação da popularidade: "Como nós captamos uma tendência anterior de queda em pesquisas realizadas na capital paulista em maio e junho, é possível depreender que essa taxa de 35% represente na realidade uma recuperação de sua popularidade".

Paulino destaca a semelhança entre a aprovação a Lula e os os índices obtidos por Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso após um ano e meio de mandato: 37% para Itamar em agosto de 1994 (um ano e nove meses) e 30% para FHC em junho de 1996 (um ano e seis meses de gestão).

O resultado de Itamar já refletia o êxito do Plano Real no combate à inflação; o de FHC estava influenciado por temores em relação ao desemprego e pela reação negativa ao massacre de Eldorado do Carajás, em abril. Três meses depois, porém, a aprovação a FHC já havia subido para 43%, num momento em que o desemprego recuava (de 6,28%, em junho, para 5,63%, em setembro) e a propaganda eleitoral dos partidos governistas enaltecia o Real.

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é bastante superior à obtida pelo presidente Fernando Collor de Mello (18%), bastante afetada pelo recrudescimento da inflação após o fracasso do Plano Collor 2, em fevereiro, e às taxas obtidas por FHC em 2000 (19% em junho e 23% em outubro), reflexo das dificuldades econômicas herdadas da maxidesvalorização do real em 1999 e da elevada taxa de desemprego.

Detalhando a pesquisa por estratos do eleitorado, percebe-se a aprovação a Lula caiu seis pontos percentuais entre as mulheres, os eleitores das cidades do interior e os moradores do Nordeste. A mesma taxa caiu cinco pontos no Norte/Centro-Oeste e nas faixas de 16 a 24 anos e de 35 a 44 anos. No sentido inverso, destaca-se a queda de oito pontos percentuais na taxa de reprovação a Lula nos eleitores com renda mais elevada.

A reforma da Previdência (que atingiu inativos do setor público) não afetou a aprovação a Lula no estrato com 60 anos ou mais, no qual ele alcança uma aprovação de 43%. A menor aprovação por faixa etária ocorre entre os eleitores com 45 a 59 anos (32%).

A aprovação a Lula diminui à medida que aumenta o nível de escolaridade (37% entre os eleitores que têm apenas o ensino fundamental, 34% entre aqueles com ensino médio e 30% entre os com nível superior). Nos demais casos, porém, não é possível discernir um padrão de variação. A aprovação é maior no interior (36%) do que nas capitais e regiões metropolitanas (33%), e maior no Sul (37%) do que no Sudeste (34%).
 
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