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Agricultor familiar vende produção ao governo

14 Set 2004 - 10h33
A compra de feijão pelo governo federal em Rondônia animou os agricultores familiares do estado. Eles conseguiram vender toda a produção a um preço melhor que o de mercado. A saca de feijão, com 60 quilos, foi vendida por R$ 60,00, e cada produtor pôde vender até R$ 2.500,00. Os atravessadores adquiriam o produto por cerca de R$ 45,00 a saca. A compra foi feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O secretário nacional de Segurança Alimentar, José Baccarin, disse que a ação contribuiu para regular o preço do produto, que estava em baixa, e estimular a produção. "A política reduz a ação dos atravessadores e garante maior renda aos pequenos agricultores, sem que o consumidor seja prejudicado no preço final do produto", afirmou.

Para realizar a compra, o governo investiu R$ 10 milhões. É uma ação do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que faz parte do Fome Zero. O feijão será destinado a comunidades em risco alimentar, como quilombolas, acampados da reforma agrária, índios e vítimas de barragens e enchentes.

A compra beneficiou quase seis mil pequenos agricultores do estado, que fizeram filas em frente aos armazéns e pontos de venda. Eram caminhões, charretes, tratores carregados de sacos de feijão que chegaram a esperar 10 dias para vender o produto. Mas a espera valeu a pena, avaliaram os agricultores. "Porque se fosse vender para os maquinistas não ia fazer quase nada, mal ia dar para pagar o veneno. Mas como o governo comprou, vai sobrar para comprar alguma coisinha. E se for só para o maquinista comprar, coitado de nós, não ia sobrar nem para pagar o veneno", disse o baiano Erineu Teixeira de Oliveira, que vive há mais de 20 anos em Rondônia.

Jaerce de Oliveira Silva também comemorou. Este ano, sua produção total foi de 480 sacas de feijão. Mesmo vendendo apenas 40 sacas para o governo, elogiou a iniciativa, porque segundo ele, o preço subiu no mercado. "Se não tivesse a Conab, estaríamos vendendo o feijão em torno de R$ 28 a R$ 35. Para isso valeu, porque você vende 40 sacas, mas para outra produção você consegue um precinho melhor, senão não teria condições", afirmou. Jaerce disse que com o dinheiro extra quer comprar um trator novo e prometeu que no ano que vem vai plantar mais feijão.

Não foram somente os agricultores que comemoraram a compra do feijão. Os comerciantes disseram que o movimento aumentou. "Foi bom porque aumentou mais o movimento do mercado", disse Adalto Neves, dono do Mercado Neves, da cidade de Alto Alegre dos Parecis (RO). "Isso ajuda o comércio e vendendo mais, lógico que a tendência é melhorar o lugar", completou. Em outro município, a opinião foi a mesma. "Depois dessas compras, o município melhorou demais o movimento. Os agricultores estão felizes e nós muito mais", disse Luiz Henrique Tavares, funcionário da Cooperativa de Trabalho, Administração e Conservação (Coortral) de Alta Floresta d´Oeste.

Odilan Ferreira, morador de Alta Floresta (RO), trabalhou como ensacador nos armazéns em julho e agosto, durante a compra. "Foi muito trabalho", disse. Acrescentou, no entanto, que não pode reclamar porque se não estivesse "ensacando", estaria desempregado.
 
 
Agência Brasil

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