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Brasil

Agentes da Força Nacional pedem dispensa no Rio de Janeiro

2 Jul 2007 - 14h39
Pelo menos 145 soldados da Força Nacional de Segurança (FNS) pediram dispensa da missão no Rio de Janeiro, de acordo com os comandos das polícias militares de 21 Estados brasileiros. De cada 12 agentes da FNS enviados ao Rio, um voltou ao seu Estado natal.
A violência, a quantidade de tarefas e as condições precárias dos quartéis em que estão instalados são os motivos que levaram os soldados à desistência.
"Um de nossos soldados achou a missão de alto risco e reclamou da falta de amparo legal caso sofresse algum acidente", conta o coronel Rubens Goulart, da PM de Alagoas. "Disse não ter assinado documento algum garantindo seguro de vida".
O comando-geral das PMs de Espírito Santo e Santa Catarina mandaram, há duas semanas, comissões para avaliar a auto-estima dos agentes da Força que estão no Rio. As instalações onde foram alojados os soldados também serão avaliadas. Os dois relatórios ficarão prontos esta semana.
As diferenças culturais também pesam na hora de decidir voltar para casa. Um soldado do Piauí, enquanto observa traficantes acenando para ele na favela da Fazendinha, dentro do Complexo do Alemão, afirma que já viu "muitos agentes voltarem para casa porque a família fica impressionada com o que vê na TV. No meu bairro, em Teresina, ainda dormimos com a porta destrancada. Como é que o Rio ficou assim?".
A pergunta já chegou aos ouvidos dos comandantes. "Muitos soldados são do alto sertão e têm outros costumes, não conseguem se adaptar", admite o coronel paraibano José Gomes de Lima. O Estado enviou 93 homens ao Rio, mas 27 já voltaram.
Também não faltam Estados que, como recompensa ao efetivo liberado, esperam em breve receber a FNS. Mas, diante das mazelas cariocas, todos reconhecem ter problemas menores. "Aqui conversamos com a comunidade e usamos pistolas. No Rio, usam-se fuzis e o policiamento é feito por carros" reconhece Nilson Nobre Bueno, comandante da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.
A promessa de trazer 6 mil agentes ao Estado até o início dos Jogos Pan-Americanos também dificilmente será cumprida - os Estados ouvidos pelo JB tinham, ao todo, 1.855 soldados no Rio. Atender aos constantes pedidos da Secretaria Nacional de Segurança (Senasp) por mais soldados é considerado, por muitos comandantes, missão quase impossível. O Ceará tem 334 policiais para servir à Força, mas só 73 devem ser liberados, para não comprometer a segurança local.
O subcomandante da PM de Roraima, Paulo Mouzart, também admite o problema. "Os pedidos são muito superiores à nossa capacidade. A Senasp solicitou 145 homens esta semana. Vamos mandar apenas cinco".
A intenção da secretaria nacional era de que todos estivessem no Rio até o início de junho, para se adaptarem à geografia da cidade. As últimas levas, porém, só devem chegar cinco dias antes do Pan.
A carência de efetivo das unidades ouvidas pelo JB chega a 50% - semelhante à da PM do Rio. O índice, percebido a cada negativa dos Estados, faz a Senasp trabalhar com a hipótese de ter um efetivo menor. Cabe à FNS guardar a Vila do Pan, escoltar as 42 delegações esportivas, que contam com 5.662 atletas, vigiar as 15 estruturas da competição e manter 140 agentes nos acessos do Complexo do Alemão.
 
Terra Redação
 

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