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AGÊNCIA BONITO THIAGO
Brasil

Advogado só usa verde e amarelo desde Copa de 94

22 Ago 2007 - 11h18
Não é difícil localizar o advogado Nelson Paviotti em meio à multidão que movimenta o Palácio da Justiça, o Fórum de Campinas, no interior de São Paulo. Enquanto seus colegas vestem os tradicionais ternos em tons sóbrios como o preto, cinza, azul escuro, Paviotti combina a seriedade que sua profissão exige com as cores da bandeira brasileira.
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É assim desde a vitória da seleção de futebol na Copa de 1994. Na ocasião, antes das quartas de finais, o advogado prometeu aos amigos: se o Brasil fosse campeão, ele usaria as cores verde, amarelo, azul e branco pelo resto de sua vida. Cumprir a promessa não seria difícil, afirma. "Afinal estamos falando das cores que simbolizam o Brasil", observa. "O time foi o mais aguerrido, trouxe mais otimismo e o patriotismo que faltava ao país", diz Nelson Paviotti, 57 anos e 23 de profissão.
Em sua opinião, hoje a exaltação à Pátria está mais comum. Para ele, muita gente veste com orgulho a camisa da seleção, usa objetos nas cores da bandeira, põe fita verde-amarela no carro e estende a bandeira na janela durante os jogos de futebol.
Escritório e casa
Após a promessa, as cores da bandeira se perpetuaram na vida do advogado. As paredes internas do seu escritório são pintadas de verde e amarelo. Boa parte das salas do prédio comercial, no calçadão da rua 13 de Maio, no centro de Campinas, é ocupada por advogados. "As pessoas chegam e perguntam 'onde é a sala do verde-amarelo?'", diz o porteiro Elizeu Rodrigues, 23 anos.
No escritório de Paviotti, os relógios, as cadeiras, telefone e aparelho de som são verde, amarelo, azul e branco. Os armários de aço do arquivo ganharam tons de verde. As pastas com documentos dos clientes que estão perfiladas na estante são nas cores verde, amarelo e azul. A capa dos processos é na maioria branca e amarela.
Os objetos de decoração lembram a descontração de uma partida de futebol. Um violão e um pandeiro verde-amarelo com a inscrição "GOOOL". Uma bolsa de mulher no formato de bola, copos e canecas de vários tamanhos com os brasões nacionais, chapéus de feltro amarelo e verde, bonés, um capacete similar ao do piloto Ayrton Senna, chaveiros, canetas, bandeiras de tecido e de plástico e pôsteres com os jogadores da seleção por todos os cantos.
Na fachada de sua residência, o destaque é a pintura da bandeira nos 3 m de calçada. Milhares de bandeirinhas são espalhadas pela casa apenas em dia de jogo de Copa do Mundo, segundo promessa feita pelo advogado à mulher. "Com o tempo a gente foi se acostumando", diz a professora aposentada Maria Antonieta Paviotti.
A convivência em tempos de jogos de futebol é pacífica na casa. Mas ela pede ponderação. O casal tem dois filhos adultos: o rapaz acompanhou o pai na advocacia e a filha faz administração pública.
"Ainda bem que 90% dos alimentos são verdes e amarelos. Era isso que ele comia nos dias de jogos", conta a mulher de Paviotti. De acordo com Maria Antonieta, hoje é mais comum encontrar objetos que lembrem a seleção de futebol. Antes, porém, era muito difícil comprar tecidos com desenhos e cores da bandeira, dificultando a confecção dos ternos também. "Já basta um", responde ela ao ser perguntada por que não veste as cores do marido.
Fusca Fafá de Belém
O fusca do advogado, ano 1982 e batizado de Fafá de Belém, não escapou da promessa. As cores da bandeira estão na lataria, interiores e no verde musgo do insufilme. O motor 1.600 cc também recebeu retoques de tinta.
Uma foto da cantora Fafá de Belém vem colada na traseira do veículo abaixo da inscrição "Consulte sempre um advogado". A artista Fafá foi associada popularmente aos modelos de fusca fabricados com lanternas mais avantajadas.
Paviotti é fã da cantora Fafá de Belém e admira sua participação ativa na história do Brasil. "Meu sonho é um dia conhecê-la pessoalmente", confessa. Ele destaca o engajamento da cantora no cenário político como no período das Diretas Já e a sua homenagem emocionada durante visita do papa João Paulo II.
O outro carro de Paviotti, um fusca 1972, não escapou da obsessão. Batizado de Romário, o veículo aguarda uma revisão, mas não será aposentado, assim como o atacante da Copa de 94.
Adepto das manifestações de alegria, Paviotti costuma ser visto nas ruas de Campinas durante os desfiles de Carnaval. Certa vez, em concentração no City Bar, Paviotti chegou vestindo um modelo árabe com muitos panos verde, amarelo, azul e branco.
O fusca Romário, convocado ao desfile noturno das escolas de samba, foi pintado com os nomes dos jogadores na lataria. "O nome do técnico era no motor, para aquecer. O jogador da defesa, no teto. Os da linha, no capô. O goleiro nas duas portas para não deixar abrir o gol", conta o advogado.
 
 
 
 
Terra

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