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Advogado: atropelador de filho de atriz foi coagido por PMs

26 Jul 2010 - 15h24Por Terra

Rafael Bussamra, motorista do carro que atropelou e matou o filho da atriz Cissa Guimarães, Rafael Mascarenhas, prestou depoimento na manhã desta segunda-feira à 15ª DP, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. O jovem deixou a delegacia por volta das 13h, após passar cerca de duas horas e meia no local. Na saída, o advogado de Bussamra, Spencer Levy, disse que o jovem e sua família foram coagidos a cometer delitos pelo cabo da Polícia Militar Marcelo Bigon e o sargento Marcelo Leal de Souza Martins.

Os dois PMs são acusados de cobrar propina para liberar Bussamra na noite do acidente e cumprem prisão administrativa desde domingo. De acordo com o advogado, os policiais militares aconselharam Rafael a deixar o local e ir até a 15ª DP.

"O Rafael (Bussamra) saiu dali tirado pelos policiais. Os policiais sequer foram ver o estado do garoto (da vítima) naquele momento. Estavam mais preocupados em revistar o veículo, revistar o Rafael e o André (carona do veículo), a mochila e o porta-malas. Em nenhum momento tentaram descobrir onde estava a vítima, se estava bem ou não", afirmou Levy.

De acordo com a versão da defesa, os policiais teriam pedido para que Rafael parasse o carro em um posto próximo à delegacia. Ali, os policiais teriam dito que o jovem atropelado estava no hospital e não correria risco de morrer.

Questionado se haveria o envolvimento de um terceiro policial fazendo contato por rádio, Levy afirmou que a conversa "pode ter sido simulada".

Na versão de Bussamra, os PMs teriam solicitado a ele que entrasse na viatura policial. Eles teriam circulado pelo bairro Jardim Botânico até um local marcado para encontrar o pai do atropelador, o empresário Roberto Bussamra.

Os policiais teriam solicitado dinheiro ao empresário dizendo que "prestaram um bom serviço" ao jovem tirando o veículo do local e limpando a cena do atropelamento. Após dar R$ 1 mil os policiais, o empresário teria se negado a pagar o restante do dinheiro combinado - R$ 10 mil, de acordo com o advogado. "Se vocês forem para a delegacia, vão nos queimar", teria dito um dos policiais em tom ameaçador, segundo o advogado.

De acordo com Levy, a família de Bussamra teme sofrer represálias dos policiais. "Estão com medo. Estão pensando em se mudar", disse. Levy afirmou ainda que a família sente muito pela morte do jovem filho da atriz Cissa Guimarães e que a mãe de Bussamra gostaria de se pronunciar, mas está com medo de se expor.

Racha
O advogado negou ainda que os jovens tivessem participando de um racha ou que tivessem consumido álcool. Levy afirmou que os jovens pararam os carros em frente a dois bares antes de seguir em direção ao túnel onde ocorreria o acidente. Eles, no entanto, não teriam entrado nos estabelecimentos.

Sobre a suspeita de que os jovens estariam disputando um racha no momento do atropelamento, o advogado culpou a imprensa pelo que classificou de "informações precipitadas". Segundo ele, os dois carros (um Siena e um Civic) eram de potências diferentes e não faria sentido uma corrida entre os dois veículos. "Seria o mesmo que disputar uma corrida entre uma motocicleta e uma bicicleta", afirmou Levy.

De acordo com ele, qualquer informação sobre a velocidade do veículo na hora do acidente é "precoce". "A perícia não foi feita. Não se pode falar em velocidade", disse.

Levy confirmou que houve "bandalha" (imprudência) no momento em que os jovens resolveram fazer um retorno dentro do túnel com a pista fechada. No entanto, o advogado criticou a falta de sinalização. "A bandalha foi feita. Mas não tinha sinalização", disse.

Prisão
Nesta segunda-feira, a delegada Ana Paula Barros, da corregedoria da Polícia Militar, pediu a prisão preventiva de Bigon e Martins. O juiz Alberto Fraga já havia vetado um pedido de prisão dos PMs e disse que não havia indícios e provas para embasar a custódia tutelar. Além disso, os policiais não possuem antecedentes criminais e "há anos integram a corporação militar, o que permite concluir pela ausência de sua periculosidade", afirmou o juiz na sentença.

Entenda o caso
Mascarenhas andava de skate na madrugada da última terça-feira, na pista sentido Gávea do túnel Acústico, que estava sem tráfego devido à interdição para manutenção do túnel Zuzu Angel, quando foi atropelado pelo Siena de Bussamra. O motorista admitiu ter feito o retorno ilegal para comprar um lanche, mas testemunhas dizem que ele fazia um racha com um Honda Civic.

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