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22 de Maio de 2010 09h16

Acrissul sugere cooperativas de trabalho contra desemprego

Acrissul

A Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul) participou durante todo o dia de quinta-feira da 100ª Reunião da Comissão Nacional de Combate à Violência no Campo, no auditório do Incra-MS, em Campo Grande.

Durante o evento, que debateu uma série de fatos que vêm criando instabilidade no campo, o presidente da Acrissul, Francisco Maia, sugeriu ao Ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, a criação de cooperativas de mão-de-obra para absorver os trabalhadores dos acampamentos de sem-terra, abrindo frentes de trabalho e ocupando uma mão-de-obra disponível.

Segundo o presidente da associação, hoje existem no Estado, segundo números da própria CPT (Comissão Pastoral da Terra) existem 25 mil acampados.

E esse número pode chegar a 40 mil com o regresso dos brasiguaios (brasileiros sem-terra que ocupavam fazendas no vizinho Paraguai), o que pode deixar o Mato Grosso do Sul à beira de uma convulsão social no campo, uma vez que aumentarão significativamente o número de invasões e acampados no Estado, alerta Maia.

A criação de cooperativas de mão-de-obra resolveria dois problemas: primeiro de empregabilidade, criando oportunidade de trabalho para centenas de trabalhadores, já que existe uma demanda muito grande no Estado no setor rural, que registra crescimento astronômico em alguns setores, como em silvicultura e no setor canavieiro.

Segundo, que as cooperativas substituem a figura do empreiteiro (do gato como é conhecido), o que dá mais segurança para as propriedades rurais em questão de garantias trabalhistas e legais na relação de trabalho.

Conflitos agrários

Durante a reunião da comissão ficou decidido que a Polícia Federal daria mais um prazo de 10 ou 15 dias para que as 55 famílias da Fetagri-MS (Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Mato Grosso do Sul) e FAF (Federação da Agricultura Familiar) deixem uma área em conflito no município de Amambai, a fazenda Piquenique. A área é alvo de uma briga judicial envolvendo o próprio Incra-MS e arrendatários da fazenda.

O caso foi parar no STF (Supremo Tribunal Federal), e o o ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino José da Silva Filho, prometeu fazer diligências à Justiça Federal e ao próprio STF para tentar solucionar o problema judicial criado. A área chegou a ser demarcada para os assentados.

Na reunião foi assinado um termo de acordo, onde as lideranças dos acampados prometem uma saída pacífica, caso persista a ordem de reintegração de posse. O presidente da Acrissul, Francisco Maia, colocou a entidade à disposição da Ouvidoria Agrária.

Atuamente a associação trabalha numa frente interessada em acabar de vez com os conflitos agrários envolvendo fazendeiros e indígenas em Mato Grosso do Sul.

Em abril a Acrissul entregou à Presidência da República uma lista de área vizinhas à reservas, aptas à venda para a União assentar indígenas.

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